Parece que o PCdoB vive no mundo da fantasia. Em artigo intitulado “98 anos do PC da China”, o partido brasileiro procura elogiar a China “socialista”, tanto de Mao Tse-Tung quanto Deng Xiaoping, que tem a capacidade de “formular o socialismo com peculiaridades próprias, nos termos de sua própria formação econômico-social e sua história, não se bastando com dogmas ou modelos”.
Ao elogiar tanto Mao Tse-Tung quanto Deng Xiapiong, o PCdoB revela seu caráter centrista e capitulador, ao defender tanto o líder da revolução chinesa, quanto a pessoa que levou adiante a política de reabertura do capitalismo no país. Provavelmente, o Mao que elogiam não é o revolucionário, que, em determinado momento, se opôs à política do stalinismo e levou adiante à revolução, mas o Mao que procurou estabelecer alianças com o então presidente dos EUA, Richard Nixon, preparando o terreno para Xiaoping.
Mas isso não é o mais importante do texto. A frase acima citada mostra que o “comunismo” do PCdoB não é a teoria formulada por Marx, Engels, Lenin e Trotski. Muito pelo contrário, assim como afirmam, trata-se de um “socialismo com peculiaridades” sem “dogmas ou modelos”, isto é, um socialismo sem os teóricos marxistas e a experiência histórica da classe operária.
Ao afirmar que a política de Xiaoping ergueu “rumos inovadores para a estratégia socialista”, o PCdoB em seguida deixa claro que essa inovação foi justamente a “política de Reforma e Abertura, iniciada em 1976”, que “leva a China a uma nova e acelerada etapa de desenvolvimento”.
Longe de denunciar que a abertura capitalista foi produto de um processo contra-revolucionário, que levou à China, alguns poucos anos depois, a ser uma colônia de exploração de mão de obra barata do imperialismo, o PCdoB elogia esta política da burocracia – revelando a política de aliança com os capitalistas do supostos Partido “comunista” do Brasil.




