O Ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita anunciou nesta quarta-feira (9) que, pela primeira vez, as mulheres sauditas estão autorizadas a se alistar nas forças armadas do país, que ainda hoje se escora num regime ultraconservador, principalmente na questão das mulheres. Ainda assim, ao passo que medidas como essas são tomadas, o país segue uma política de repressão contra grupos de ativistas feministas e de direitos humanos, enquanto aplicam o Islã em seu formato mais rigoroso.
É verdade que nos últimos anos a Arábia Saudita tem concedido direitos às mulheres, como permissão para dirigir e a possibilidade da mulher poder viajar sem que precise do consentimento do homem da família. Essas políticas parecem absurdas olhando do lado de cá do mundo, mas é assim que se comporta um dos principais braços dos EUA no Oriente Médio. O Ministro das Relações Exteriores do Reino Saudita fala como se fosse um grande avanço para as mulheres, como se o país tivesse resolvido levar em consideração a existência e necessidades das mulheres, como sujeitos de suas próprias vidas, mas nos bastidores a história é bem diferente.
Em 2018, logo após o país permitir que as mulheres pudessem dirigir, a ativista Loujain al-Hathloul foi presa e torturada. Após a repercussão desse fato lastimável na imprensa, o governo saudita tentou forçá-la a negar as torturas em troca de soltá-la, porém a ativista se recusou a aceitar essa armadilha disfarçada de acordo. Lujain segue presa até hoje e, é claro, a imagem da Arábia Saudita ficou bem queimada com a imprensa mundial, afinal, ficou claro que esses “avanços” não passam de pura demagogia para que pareçam bonzinhos agora.
O país saudita, após passar por uma queda no preço do petróleo no mercado internacional, agora tenta suavizar sua imagem para os estrangeiros a fim de atrair investidores e turistas, principalmente para tentar diversificar a economia e depender menos dos recursos provenientes dos combustíveis fósseis. O governo saudita está usando as mulheres como isca para investimentos, é claro. Além do mais, não há nada de muito emancipador em mulheres poderem se alistar no exército, até porque a Arábia Saudita compra brigas do imperialismo e empurra sua população para a morte.
No meio de tanta opressão às mulheres, aos direitos humanos, às minorias em geral, não se vê os EUA fazendo campanha contra o país saudita, nem querendo mandar ajuda humanitária, exército, nada, ao contrário do que se faz, por exemplo, com o Irã e Venezuela. Isso se dá, principalmente, porque os EUA fazem sua política baseada em demagogia pura.
O berço do imperialismo, o país da liberdade e democracia só quer levar suas políticas de libertação aos países que lhe convém. A Arábia Saudita é capacho dos estadunidenses, aliás, os EUA fazem de tudo para manter a aliança estratégica com o país saudita, a ponto de fechar os olhos para as atrocidades cometidas.
Fica claro que é justamente o controle do imperialismo sobre esses países que os faz serem atrasados e tiranos, que os impedem de avançar nos direitos das mulheres no mundo inteiro, já que essa luta poderia ser potencialmente prejudicial aos países imperialistas. As conquistas no Estado burguês não vão emancipar as mulheres das correntes de exploração e opressão, muito pelo contrário: a qualquer momento a burguesia pode apertar as cordas, como já vem fazendo em lugares como o Brasil, para controlar a revolta popular. As mulheres precisam perceber as contradições e lutar pela derrubada do capitalismo, por direitos reais e contra toda forma de opressão contra qualquer pessoa.





