O senador Jaques Wagner (PT-BA) lamentou ter votado a favor da lei que instituiu a delação premiada. Disse ele: “hoje, sou obrigado a dizer que me arrependo de ter contribuído, porque nós não fomos, na minha opinião, no detalhe.”
A frase foi dita dentro de contexto maior, onde o senador precisou se posicionar a respeito da delação de Leo Pinheiro – assunto dos últimos vazamentos do Intercept. As conversas entre Sérgio Moro e os procuradores da Lava-Jato mostraram o que já estava óbvio para quem tem “olhos de ver”: os procuradores e o juiz conversavam sobre manter Leo Pinheiro em prisão preventiva até que ele delatasse algo contra Lula. Quando o ex-diretor da OAS mudou sua versão para incriminar o ex-Presidente, sua pena caiu de dez para 2 anos e 6 meses.
A desmoralização desta operação se torna inevitáve dia após dia. Impossibilitados de se esconderem, setores pequeno-burgueses de partidos de esquerda são forçados a fazer o “mea-culpa”. Jacques Wagner, sabia, na época, que a delação era uma pauta dos setores direitistas, porque de fato é. Seu alinhamento fez parte do jogo típico dos parlamentares, que tentam ficar bem com a “opinião pública” – isto é, a pressão da imprensa por medidas reacionárias que visam aumentar o potencial repressivo do Estado.
Na época, diversos dirigentes petistas abandonaram a defesa de seus correligionários acusados pelo “Mensalão”, tentando passar uma mensagem de que estavam dispostos a “cortar da própria carne”. Foi o começo das campanhas que culminaram no golpe de 2016. Nada disso reduziu a “corrupção”. Do contrário, a mesma só se intensificou e anda solta nos poderes constituídos.
Wagner não se arrependeu, apenas tenta não perder a base. Mas não podemos manter ilusões quanto a esta e outras lideranças pequeno-burguesas. Seus alinhamentos tradicionais são de conciliação com a burguesia.




