Dia 26 os fascistas foram às ruas para defender o moribundo governo de Jair Bolsonaro. Atacavam o Congresso e o STF, instituições do regime político vigente, embora a imprensa tenha destacado outras reivindicações, já que a pauta dos protestos em si não tinha importância real nenhuma, diante de seu fracasso numérico. A imprensa tratou, portanto, de inflar os protestos e apresentar seu próprio programa político (como a reforma da Previdência, por exemplo).
Foi diante desse quadro que Fernando Haddad, candidato à presidência pelo PT em 2018, apareceu no Twitter para cobrar dos “grandes grupos de comunicação” uma defesa “inequívoca” do que ele chamou de “democracia”. Os “grandes grupos” são os monopólios capitalistas das comunicações. Como, por exemplo, a Rede Globo, principal desses monopólios. Haddad está exigindo da Globo uma defesa da “democracia”.
SOBRE ONTEM: o que preocupa é que os grandes grupos de comunicação não emitiram sinais inequívocos de compromisso com a democracia. Que trabalhadores e estudantes saibamos fazer a leitura deste momento crucial da nossa história. #30
— Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) May 27, 2019
A “democracia” provavelmente se refere ao próprio Congresso e ao STF. Isso chama atenção considerando que houve um golpe de Estado em 2016, embora Haddad já tenha dito anteriormente que considera “golpe” uma “palavra forte”. Em qualquer caso, Haddad quer apoio da Rede Globo para manter um “compromisso” de que Bolsonaro não torne o regime político mais autoritário. O candidato do PT gostaria que a Globo condenasse de forma “inequívoca” a tentativa de Bolsonaro de enquadrar o Congresso e o STF. Por outro lado, cabe perguntar: estaria Haddad “comprometido” com a “democracia” a ponto de se colocar contra a exigência de que o governo caia?
A Globo é bolsonarista
O problema é que foi justamente a Rede Globo e os demais veículos golpistas de comunicação que acabou levando Bolsonaro ao governo com os ataques ao PT. Haddad quer que a direita golpista combata a direita golpista, com a esperança de apelar a um suposto liberalismo de determinados setores da direita. É um apelo por uma frente com a imprensa golpista contra Bolsonaro. Essa é uma política que só fortalece a própria direita.
Fora Bolsonaro!
Para derrotar Bolsonaro e a direita golpista não é preciso que a Rede Globo faça uma “defesa inequívoca” de uma inexistente “democracia”. A população já apresentou sua política nas ruas, exigindo: Fora Bolsonaro! É preciso levantar essa reivindicação e engrossar os atos com essa reivindicação. Além de exigir a queda do governo, é preciso exigir também uma saída para a crise política pela esquerda. Ou seja, que sejam realizadas eleições gerais, com Lula libertado e candidato nas eleições.




