O deputado do PSOL, querido pela Globo, Marcelo Freixo, saiu mais uma vez em defesa da Lava Jato. Desta vez, usou a Lava Jato inclusive para criticar o próprio mandante da operação, Sérgio Moro. Os últimos vazamentos, divulgados pela Revista Veja, não deixam dúvida sobre o problema: Moro orientava e elaborava todo o esquema da operação golpista, ordenava, brigava, fazias as relações, etc.
Porém, para Freixo, não se trata disso. Segundo ele, a Lava Jato é uma operação santa da moralidade, uma operação dos paladinos da luta contra a corrupção. Sérgio Moro seria apenas uma maçã podre dentro do cesto. Trata-se da mesma opinião que o deputado tem sobre a polícia assassina do RJ, mas neste caso é ainda pior, pois trata-se do mandante de todo o esquema que aparece sendo o organizador de absolutamente tudo.
Por isso, quando Moro foi questionado pelos deputados na CCJ da Câmara, Freixo afirmou; “Não há nada melhor para a Lava Jato que o senhor seja investigado. Pelo bem da Lava Jato, o senhor não deveria se defender usando a Lava jato. O senhor, mais do que ninguém, coloca a Lava jato em risco.”
Quer dizer, o problema da Lava Jato é apenas Sérgio Moro. Para ele, não se trata de uma operação financiada pelo imperialismo, com ligações com o Departamento de Justiça norte-americano comprovadas, que busca realizar uma operação de tipo política por meio do judiciário. Não é que a operação é uma conspiração política para favorecer determinados setores da burguesia contra outros, a para perseguir toda a esquerda.
Para Freixo, Moro precisa sair fora e a Lava Jato continuar. Quer que a operação que passou por cima de todos os direitos democráticos continue. E pior, para ele, Moro não deve sair pois atuava politicamente para perseguir adversários, mas porque desrespeitou determinados direitos aqui e ali. Os “fins” de Moro eram bons, os “meios” que eram injustificáveis, para o deputado psolista.
Nesse sentido, Freixo se coloca na mesma posição que o resto da esquerda pequeno-burguesa que pede o Fora Moro, Fora Weintraub e outros ministros da Bolsonaro, enquanto que o problema é o conjunto. Ser a favor do “Fora Moro da Lava Jato” é uma maneira de sustentar a operação golpista, que prendeu Lula de forma ilegal, e o teria prendido com Moro ou não.
Mas para o deputado do PSOL, Lula também não é um preso político e os vazamentos da operação não revelam suspeição do juiz Sérgio Moro. Para o psolista não cabe ao congresso discutir a suspeição do juiz no caso do Tríplex que prendeu Lula, pois “isso será avaliado pelo Supremo, baseado na legalidade, ou não, da obtenção de provas.” Quer dizer, não vamos discutir a liberdade de Lula, que segundo ele mesmo “não unifica”, “isso será avaliado pelo Supremo”, o mesmo que permitiu a prisão totalmente ilegal de Lula e que atuou com a Lava Jato, como comprovam os vazamentos, para mantê-lo desta forma.
Fica claro então porque Freixo diz que “Lula livre não unifica”. A unidade que o deputado do PSOL quer é com a Globo, os “bem-pensantes” do PSDB, como FHC, e outros golpistas. Nada de esquerda e luta contra a direita. Por isso, o deputado deixou bem claro que não quer ter briga com a direita, dizendo “eu respeito quem tem opinião que é válida sobre os feitos de Sérgio Moro, mas ele não está acima da lei”.




