Aldo Fornazieri: saída política pela direita

O professor de sociologia, Aldo Fornazieri, publicou nesse dia 1º de julho um artigo no site do GGN intitulado “O governo vai mal e a oposição não vai bem” em que procura traçar algumas considerações sobre a conjuntura política. No texto, o autor dá opiniões críticas sobre a ação da esquerda diante do governo Bolsonaro.

Para ele, embora o governo esteja em crise, pensar que Bolsonaro pode cair seria uma ilusão e que “tudo indica que estamos longe disso”. O governo, embora em crise, teria uma estratégia para se sustentar que passaria por duas estratégias: “1) manter sua base ideológica arregimentada e mobilizada para a travessia de um momento difícil; 2) apostar na retomada da economia.” E, ainda segundo ele, caso o não consiga a retomada da economia “um desfecho possível  seria o impeachment de Bolsonaro.”

Quer dizer, para Fornazieri, a retomada econômica a partir principalmente da reforma da Previdência é uma possibilidade: “a Reforma da Previdência pode suscitar um crescimento em torno de 2 a 2,5% em 2020, então o governo teria condições de sobreviver”. Nesse sentido, Aldo Fornazieri considera que a reforma realmente poderia trazer algum ponto positivo, ao menos economicamente. A reforma, portanto, não seria apenas e tão somente um projeto para devastar a economia nacional – como são todos os projetos do governo golpista – mas poderia servir para certo crescimento. Por isso, o autor critica a esquerda por estar “à margem do processo” de discussão da reforma. A esquerda, a exemplo do que fazem os governadores do Nordeste – a maioria deles do PT – deveria seriamente fazer concessões ao projeto de reforma da Previdência, quem sabe assim, não passando “à margem”, não seria possível um crescimento econômico. “Os governadores da oposição parecem precisar da reforma, modificada, claro, mas os partidos são contra tudo”, diz ele.

Ao dizer “os partidos”, Aldo Fornazieri se refere à base dos partidos de esquerda – mais especificamente do PT – que se recusa a fazer concessões ao governo fraudulento de Bolsonaro e à destruição das aposentadorias. Certos estariam os governadores, que “precisam da reforma” e que passam por cima da vontade dos militantes do seu próprio partido para atacar os direitos do povo e dar sustentação a Bolsonaro.

Aldo parece desconsiderar todo o projeto golpista desde a queda de Dilma Rousseff: a devastação completa da economia e dos direitos sociais.

E o que dizer então desses partidos – e agora o sociólogo fala diretamente do PT – que “se alimentam de uma coisa principal: o Lula preso”? Para Aldo, a palavra de ordem “Lula livre” é “vitimização” do PT e não é capaz de apontar “uma saída política”. Ele afirma ainda que “a manutenção da prisão de Lula é conveniente para o PT” pois assim se tem a bandeira “Lula livre”. Ou seja, para nosso professor, a lutar pela liberdade de Lula seria o mais rasteiro oportunismo, fazer concessão à reforma da Previdência, não; isso seria responsabilidade.

Ainda sobre a palavra de ordem de “Lula livre”, Aldo afirma que “não se traduziu numa campanha de massa e nem em mobilizações populares. Se a campanha é importante em termos de proselitismo político, ela é inefetiva em termos de capacidade de pressionar o STF e outros poderes”.

Aldo Fornazieri inverte a realidade. Segundo a lógica dele, o PT só fala em “Lula livre” e abandona outras discussões – como a Previdência – e esse “proselitismo” não consegue atingir as massas. Quanto facilidade para inverter a realidade!

Aldo ignora que na realidade não existe campanha pela liberdade de Lula, não da parte da maioria das cúpulas das organizações de esquerda que em vez de defender o ex-presidente estão negociando a “melhor” maneira de destruir a aposentadoria do povo. E é justamente por isso que a campanha “Lula livre” não tem a abrangência necessária, não porque Lula seja impopular, mas porque as direções da esquerda – incluindo parte do PT – não quer mobilizar para sua liberdade.

Não fosse assim, como explicar que Lula tinha chances de ganhar a eleição no primeiro turno e que a direita precisou prendê-lo? Lula é popular e a luta por sua liberdade é ainda mais popular – porque se trata se uma luta democrática mais abrangente do que o simples voto na urna – mas a esquerda pequeno-burguesa não quer transformar isso em uma mobilização efetiva. As considerações de Aldo Fornazieri o colocam nesse setor.

Para Aldo, inclusive, as enormes manifestações que tomaram conta do País nos dias 15 e 30 de maio e no dia 14 de junho não foram importantes. Ele afirma “os bolsonaristas fizeram duas manifestações políticas neste ano e as oposições nenhuma. Não se pode considerar os protestos das universidades e os do dia 14 de junho como feitos dos partidos de oposição.” As manifestações cada vez mais esvaziadas da direita foram importantes mas as da esquerda não.

O problema é que Aldo Fornazieri pensa como as organizações da esquerda pequeno-burguesa que em vez de transformar consciente e abertamente as mobilizações em atos contra o governo – que de fato eram – procuraram esconder e sufocar as palavra de ordem de liberdade para Lula e fora Bolsonaro.

A única conclusão real que a esquerda pode tirar da situação política é a luta para derrubar o governo e os golpistas e libertar Lula. Isso não virá por meio de fórmulas parlamentares e institucionais mas será o resultado de uma mobilização nas ruas que a esquerda, que pensa como Fornazieri, se recusa a fazer. Por isso, ele quer uma saída à direita, que negocie com no congresso, que espere as eleições e que esqueça Lula na cadeia.

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