Mais um caso de racismo é registrado no futebol europeu. Desta vez foi numa partida do campeonato inglês, no clássico londrino entre Tottenham e Chelsea, disputado no estádio do Tottenham e vencido pelo Chelsea por 2 a 0, com dois gols do brasileiro William, no último domingo (21).
O alvo dos ataques foi o zagueiro alemão do Chelsea, Antonio Rüdiger, que recebeu ofensas de torcedores do Tottenham com xingamentos, objetos arremessados em campo e sons de macacos, após um lance em que Rüdiger sofreu uma entrada dura do atacante sul-coreano Son, que foi expulso. O zagueiro comunicou as ofensas ao árbitro que interrompeu a partida, seguindo um protocolo da Premier League, e avisos sonoros foram emitidos no sistema de som do estádio informando que a partida estava interrompida por comportamentos racistas de torcedores.
Após o jogo vários jogadores e até autoridades do governo inglês se pronunciaram sobre o ocorrido. O ex-jogador do Tottenham Jermaine Jenas disse “com a tecnologia que eles tem nesse estádio eu ficaria surpreso se não conseguissem identificar os responsáveis”. O ex-jogador se refere, principalmente, às dezenas de câmeras que os estádios europeus possuem, além de sistema de identificação na compra de ingressos e dos assentos. O ministro do esporte do governo do Reino Unido, Nigel Adams, afirmou que abrirá uma investigação sobre o caso e que não há espaço para eventos como esse no futebol. Uma afirmação demagógica, é claro. A declaração mais importante, foi a do próprio Rüdiger que afirmou via twitter: “É muito triste ver novamente racismo em uma partida de futebol, mas acho que é muito importante falar sobre isso em público. Caso não, será esquecido de novo em alguns dias (como sempre).”
Na própria Inglaterra, no começo deste mês, o volante brasileiro Fred foi alvo de ataques racistas por um torcedor do Manchester City. Em agosto o francês Paul Pogba, um dos principais jogadores da Premier League, também foi alvo de ataques nas redes sociais, após perder um pênalti no jogo diante do Wolverhampton. No restante da Europa os casos são muitos, como os brasileiros Taison e Dentinho alvos de torcedores do Dynamo na Ucrânica, o atacante belga Lukaku agredido por torcedores do Caglirari, o atacante brasileiro Malcom que foi recebido por parte da torcida do Zenit, de São Petersburgo, com faixas e declarações de repúdio, pressionando a diretoria pela contratação de um negro, isso somente nos últimos 6 meses.
É importante destacar que os casos de racismo no futebol não são eventos isolados do que acontece no âmbito político. Nos últimos anos uma onda de partidos e movimentos de extrema direita tem ganhado cada vez mais espaço no cenário político europeu, grupos que são abertamente conservadores e fascistas, participando de governos, ganhando mais assentos nos parlamentos e até, chegando a comandar o governo de países, como é o caso da Hungria, Áustria e Ucrânia.
Longe de ser um fenômeno isolado, os fascistas que se manifestam nos estádios de futebol, são uma expressão do crescimento que grupos fascistas vêm tendo, não só na Europa, nos EUA e também na América Latina, como temos vistos a onda de governos golpistas e de extrema direita que tomaram conta do continente.
Mais do que ficar indignados e se manifestar em redes sociais, tantos os jogadores como os torcedores devem agir contra esses grupos fascistas criando torcidas antifascistas e grupos de autodefesa para barrar, de fato, estes ataques. Os fascistas são como cães bravos utilizados pela burguesia para atacar o povo. O futebol, como uma das maiores expressões populares, que reúne milhares de trabalhadores num único local, é alvo constante desses grupos. Para barrá-los, portanto, não há outro meio que não seja a força!





