Esquerda paralisada

Crise do governo Bolsonaro; paralisia da esquerda

O moribundo governo Bolsonaro só ainda não foi a nocaute em função da política de paralisia da esquerda nacional

A esquerda nacional e a luta social de massas no país está diante, mais uma vez, de uma extraordinária oportunidade para fazer evoluir o movimento de luta e o enfrentamento com o cambaleante e moribundo governo Bolsonaro. Na semana passada, uma bombástica denúncia envolvendo um dos membros do clã miliciano, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), o primogênito filho do presidente, veio a tona em todo o noticiário do país, expondo toda a podridão e o mau cheiro que exala das hostes do bolsonarismo, apoiado pela extrema direita nacional, o grande capital e o imperialismo, produto direto do golpe de Estado que depôs o governo eleito em 2014.

As denúncias contra Flávio Bolsonaro estão sendo conduzidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e dizem respeito ao esquema conhecido como “rachadinha”, codinome popular para operações de desvio de dinheiro público mediante apropriação dos salários de funcionários de gabinetes, que são obrigados a entregar parte dos estipêndios para o parlamentar, que faz uso para os mais diversos fins, dentre eles a aplicação em atividades clandestinas (financiamento do crime organizado, formação de quadrilha), enriquecimento pessoal, aquisição de bens móveis e imóveis, mediante o “esquentamento”, via lavagem do dinheiro. No caso particular do senador filho do presidente, o MP/RJ acusa Flávio Bolsonaro de liderar, durante o mandato de deputado estadual pelo Rio de Janeiro (2010-2014), o esquema da “rachadinha”.

Com índices de popularidade despencando em todas as regiões do país, mesmo naquelas onde teve votação expressiva para o mandato presidencial, Bolsonaro e seu governo seguem atacando duramente as condições de vida da população, especialmente as massas populares mais empobrecidas, vitimadas pelo desemprego, a alta inflacionária, o aumento do custo de vida e a violência policial. Isso ocorre em função da mais completa paralisia e prostração de um setor da esquerda nacional, que se recusa a colocar na ordem do dia a luta para colocar para fora o governo que simboliza e representa a maior obra de destruição do país, o maior ataque à economia nacional, a maior entrega do patrimônio público ao capital internacional, a maior submissão ao imperialismo.

A estratégia da esquerda – fracassada e sem perspectiva – aposta no desgaste do governo para derrotá-lo nas eleições (municipais) próximas ou mesmo nas longínquas e incertas eleições gerais de 2022, apontando também para a “luta” no interior das instituições (parlamento, justiça), o que seguramente é uma via que não só não abre qualquer possibilidade de vitória para os trabalhadores as massas populares, como no atual quadro político nacional, marcado pelo golpe de Estado, é o caminho mais curto para a derrota da esquerda.

A questão fundamental que se coloca é que mesmo diante de todas as mais agudas contradições que marcam o primeiro ano do (des)governo Bolsonaro; mesmo diante do caráter devastador da crise que assola de ponta a ponta todo o conjunto do regime político burguês, a ausência de uma luta organizada e centralizada dirigida contra o governo, que aponte para a derrubada de Bolsonaro e seu ministério reacionário, possibilitará às forças direitistas um fôlego para que os golpistas continuem a atacar os trabalhadores, as massas populares e o país. É preciso que fique claro que o governo – mesmo em estado de completa inanição política – não cairá por obra e graça de si mesmo, das suas contradições. O que o regime político burguês está oferecendo à esquerda, a partir das graves denúncias contra um dos filhos do próprio presidente, é a oportunidade de ir para cima dos golpistas, chamar o povo a ocupar as ruas do país, conformar um amplo movimento de luta para levantar bem alto a bandeira do “Fora Bolsonaro”; fora todos os golpistas; colocar abaixo toda a estrutura apodrecida que dá sustentação ao governo inimigo do povo trabalhador, algoz das massas oprimidas, dos negros, das mulheres, dos indígenas.

 

 

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