Segundo informações do jornal golpista Folha de S. Paulo, em matéria publicada no dia 22 de junho, o PT, o PSDB, o Podemos e o PSL estariam debatendo meios para combater a corrupção e melhorar a prestação de contas. Pressionados pelo desmonte que a Operação Lava Jato causou no regime político, tais partidos estariam empenhados em “estabelecer compliance“, isto é, estabelecer um “conjunto de normas e procedimentos para prevenir, detectar e punir irregularidades cometidas por funcionários – ou por filiados, no caso dos partidos”.
Que os partidos burgueses estejam dispostos a levar adiante a criação de mecanismos que fortaleçam a “luta contra a corrupção”, é algo compreensível, até porque são controlados, em geral, por setores pró-imperialistas. Por outro lado, a participação do Partido dos Trabalhadores, que é um dos maiores partidos de esquerda do mundo, é um erro que poderá prejudicar toda a esquerda de conjunto;
A chamada “luta contra a corrupção”, que vem sendo fortemente propagandeada pela burguesia desde 2013, é uma farsa completa, conforme já foi desmascarado em vazamentos como os do ex-senador Romero Jucá e do ex-juiz Sergio Moro. Os líderes da “luta contra a corrupção” são, eles mesmos, grandes corruptos e aliados do imperialismo, que é o maior corruptor que a humanidade já conheceu.
Além de a “luta contra a corrupção” ser um mito, ela é uma ferramenta fundamental para que a classe dominante consiga perseguir seus inimigos e estabelecer um regime político com características ditatoriais. Foi através da “luta contra a corrupção” que uma presidenta eleita democraticamente foi deposta, que o maior líder popular do país foi colocado na cadeia e que um fascista foi colocado na Presidência da República.
Um terceiro aspecto que merece ser criticado em relação à questão do compliance é que isso é uma aliança com os partidos da burguesia – os partidos que deram o golpe de 2016 e apoiam o governo Bolsonaro. Qualquer aliança que seja com esses partidos consiste em uma submissão dos interesses da população aos interesses da burguesia. Afinal, a direita não tem nenhuma preocupação moral em relação à corrupção, mas sim em manter os trabalhadores sobre o seu chicote.




