Em dia de mais um fiasco do que resta de bolsonaristas no Brasil, dia 30 de junho, Augusto Heleno, que provavelmente está acostumado a ver todos os seres humanos como seus soldados, ao dirigir-se àqueles que pensam e agem diferente da extrema-direita que hoje está no poder, chamou os que se opõem aos golpistas de “esquerdopatas”.
Como se sabe, “patia” é sufixo que se refere a algum distúrbio doentio. Então, para Heleno, todo aquele que segue ou adota pensamentos de esquerda é nada mais nada menos do que um doente.
Esta é exatamente a mesma linha de pensamento dos nazistas que, à semelhança de Heleno, considerava os que não seguiam a sua ideologia direitista como “degenerados”, ou mesmo loucos, irrecuperáveis, enfim, para quem o único destino eram os campos de concentração.
Não é de se estranhar que o Exército Brasileiro destes tempos golpistas não tenha vergonha nenhuma em condecorar um major nazista, considera pelos nossos generais como um “oficial brilhante”. Tão “brilhante” que já havia sido condecorado, em vida, por uma outra autoridade, não brasileira mas alemã, de tempos idos: Adolf Hitler.
Certamente o “brilho” macabro dos serviços prestados ao nazismo por Otto von Westernhagen, ultrapassam o tempo e seguem além do que fora então reconhecido pessoalmente, pelo próprio Führer.
O empenho nazista do major alemão encontra lugar, nos dias atuais, no Estado proto-fascista brasileiro.
Trata-se de uma mal disfarçada homenagem, do governo bolsonarista, ao próprio nazismo em si. Regime que certamente encontra grande admiração pela corja fascista que está hoje no Palácio do Planalto por meio da fraude e do golpe.
A caracterização que Heleno dá à esquerda, por um lado, e a homenagem do Exército ao nazismo, por outro, demonstram claramente que, se estes fascistas que estão hoje no poder são capazes de não encontrarem uma crescente e explosiva reação popular, o que eles querem é simplesmente implantar no nosso país as mesmas estruturas fascistas organizadas na Alemanha de Hitler.
Para a esquerda em geral – doentes que são – campos de concentração. Para os mais cruéis fascistas, que melhor lamberem as botas dos novos “hitleres” em formação, condecorações e honrarias.
O que os impede é que, no momento, estes fascistas do governo Bolsonaro sabem que não têm o mínimo apoio político para implantar o regime francamente fascista que têm em mente.
A burguesia não cerrou fileiras, ainda, em uma firme decisão de conjunto pelo fascismo, frente à crescente reação popular. Por isso, os militares seguem a estratégia clássica de aproximação. Em lugar da ação direta, partem para uma campanha de propaganda fascista, buscando alimentar uma crescente simpatia por tudo aquilo que, há algum tempo, não teriam coragem de homenagear.
Se esta propaganda indica a intenção e os sonhos dos fascistas no poder, para nós, tem que indicar a necessidade urgente de luta. E luta constante, aguerrida, radical, com vistas a uma crescente mobilização popular.
A nossa luta tem que implantar na cabeça dos fascistas um receio claro e concreto de que uma explosão social de características revolucionárias possa fazer repetir no Brasil o que houve nos países onde o fascismo foi vencido pelo povo. Que o fim de todo fascista será apenas e tão somente garantido por meio da força do povo organizado.
Não podemos deixar a luta esmorecer neste momento. Qualquer vacilação poderá ser fatal contra o povo. Por isso, agora são todos juntos contra Bolsonaro, pela Liberdade de Lula e por eleições gerais já, com Lula candidato. Única maneira de afastarmos as sombras do projeto fascista de Augusto Heleno e seus pares da vida do povo brasileiro.

