A sucursal brasileira da imprensa imperialista britânica BBC News publicou na quinta-feira (30), dia do ato que lotou as ruas de todo o País contra o governo Bolsonaro, matéria chamada “Presença de partidos, sindicatos e ‘Lula Livre’ causa divergências em ato pela educação em SP”. Típica matéria intrigante da imprensa capitalista que falsifica as informações com um objetivo de político bem claro.
E o objetivo, nesse caso, é dar uma orientação política oposta à que a maioria do povo está pedindo nas ruas. Diante da incapacidade de simplesmente esconder os enormes atos, a imprensa golpista e imperialista quer transformar a mobilização de esquerda, contra o governo, em um ato coxinha. Muito parecido com o que foi feito durante as manifestações de 2013, quando diante do colapso do governo Alckmin que havia reprimido violentamente os manifestantes, a direita tratou de sequestrar as manifestações, infiltrando coxinhas e policiais e fazendo usando a imprensa golpista para mudar o conteúdo da manifestação. Dessa vez, no entanto, a tarefa da direita é mais complicada, já que o próprio movimento evoluiu com a experiência política, a crise do regime político golpista é profunda e as reivindicações e palavras de ordem do movimento são mais claras.
Para fazer a intriga, a reportagem da BBC apresenta um grupo de cinco estudantes adolescentes que no meio da manifestação de mais de 20 mil pessoas em São Paulo diziam ser contra os sindicatos, os partidos políticos e os “corruptos”. Logicamente que num universo de dezenas ou até centenas de milhares de pessoas, é impossível que todos pensem iguais, mas para a imprensa golpista a opinião de cinco parece ser o tom de toda a manifestação.
A direita utiliza o atraso político de setores da população para atacar os partidos de esquerda e os sindicatos. A tentativa é em primeiro lugar reforçar essa política conservadora e em segundo lugar colocar a própria esquerda na defensiva. A direita tem clareza que o principal perigo dessas enormes mobilizações são as organizações de esquerda, que orientam politicamente o movimento – por mais que possamos ter divergências políticas com elas – e são capazes de mobilizar amplas massas. A direita quer uma manifestação sem bandeira, sem partido e sem sindicato para poder ela mesma controla-lo de acordo com a sua política.
O mesmo conteúdo tem a rejeição da palavra de ordem em defesa da liberdade de Lula. A reportagem da BBC falsifica a realidade para convencer o povo de que a maioria, apesar de ser contra Bolsonaro, não é a favor de Lula. Isso porque a luta pela liberdade de Lula representa também um perigo político para os interesses da direita que vê seu governo e todo o regime político ruir. Lula é a alternativa natural das massas nesse momento.
A esquerda pequeno-burguesa não só capitula diante dessa intriga da direita como procura adaptar sua política a essa campanha que na realidade é uma falsificação grotesca. Por isso é tão comum entre as organizações da esquerda pequeno-burguesa a ideia de que não se deve levar bandeiras, de que não se deve ter carro de som para orientar o ato e “inovações” que na realidade são velhas tentativas de estrangular um movimento de luta.




