Sessenta e seis pés de maconha foram apreendidos pela Polícia Militar no Morro do Cruz, no Andaraí, durante uma operação realizada em 4 de novembro. A ação partiu da UPP do Borel, teve apoio do BOPE e alcançou também as comunidades do Borel e da Casa Branca, na Tijuca. A PM disse que buscava integrantes de grupos criminosos, autores de roubos de veículos e foragidos. A ocorrência da estufa foi encaminhada à 19ª Delegacia de Polícia. O balanço divulgado não informa mortos ou feridos.
A corporação apresentou a plantação como resultado de uma operação que levou sua tropa especial a três bairros populares. Para os moradores, o resultado anunciado não responde por que sua segurança depende de incursões militares sucessivas. A polícia entra para procurar uma mercadoria proibida, sai com uma apreensão e conserva o poder de voltar. A estufa encontrada não encerra o comércio clandestino nem a disputa por ele.
A proibição das drogas ajuda a manter essa situação. Ao impedir a venda legal, o Estado deixa esse mercado nas mãos de organizações armadas. Depois usa a existência dessas organizações para justificar UPPs, ocupações e operações do BOPE. Os grandes responsáveis pelo negócio acaba sendo o próprio Estado e seu aparato repressivo; quem vive nos bairros pobres tem sua rotina submetida à polícia. O Partido da Causa Operária defende a legalização de todas as drogas para atingir a base desse comércio clandestino e retirar da PM seu principal pretexto de intervenção nas favelas.
O problema não se limita à justificativa da operação. Segundo dados publicados pelo DCO, policiais foram responsáveis por uma em cada cinco mortes violentas registradas no estado do Rio de Janeiro em 2025. Entregar a proteção da população exclusivamente a uma corporação com esse histórico significa exigir que os moradores aceitem como segurança a presença de quem também os ameaça. A PM deve ser dissolvida; UPP e BOPE precisam deixar de existir.
Os trabalhadores têm de poder defender seus bairros tanto de grupos armados quanto das incursões do Estado. Isso exige o direito ao amplo armamento da população e a organização coletiva da autodefesa, com organismos controlados pelos próprios moradores. Uma comunidade desarmada diante da polícia e de seus demais agressores não tem como decidir sobre sua segurança.
Luta pela terra





