Hukat’i Sateré Mawé disse aos participantes de uma manifestação em Manaus que as próximas gerações terão de aprender a se defender. O integrante do Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas falava em 1º de novembro, num ato convocado após denúncias de violência contra comunidades indígenas. Os manifestantes saíram da Praça da Matriz, percorreram a avenida Eduardo Ribeiro e distribuíram panfletos sobre a luta pela terra.
Havia razões imediatas para a preocupação expressa por Hukat’i. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil relatou ameaças de envenenar a água da aldeia Sassoró, em Mato Grosso do Sul, além de atropelamentos e intimidações em outras comunidades. Em outubro, Álvaro Ferreira foi assassinado na Terra Indígena Votouro, no Rio Grande do Sul. Dois indígenas morreram durante uma operação policial realizada no território horas depois. As circunstâncias e responsabilidades dessas mortes exigem investigação.
No ato, uma faixa defendia a revolução agrária. A reivindicação aponta para o problema que as campanhas eleitorais não resolvem: a terra continua concentrada, os processos de demarcação enfrentam resistência e os invasores dispõem de dinheiro e armas para pressionar as comunidades. Uma vitória nas urnas não obriga um latifundiário a recuar da área que ocupa.
O Partido da Causa Operária defende a demarcação das terras dos índios, as retomadas e a expulsão de quem invadiu esses territórios. Defende também a entrega de terras aos trabalhadores rurais. Diante de ameaças armadas, aldeias e ocupações precisam organizar sua própria defesa. O direito ao armamento dos índios e dos trabalhadores do campo faz parte dessa luta: quem sofre uma agressão não pode ficar à espera de uma força policial que atua ao lado dos grandes proprietários.
Manaus levou às ruas uma questão decidida também no interior das aldeias e nas áreas em disputa. Proteger os índios requer terra demarcada, invasores expulsos e comunidades com meios de enfrentar a violência que as ameaça.




