Homens armados derrubaram uma casa da comunidade Chaparral II, na divisa de Araguaína e Pau D’Arco, em 4 de novembro. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), depois da demolição eles ameaçaram outra residência, onde famílias estavam reunidas, e anunciaram que fechariam todas as entradas da comunidade. A terra pertence à União.
O ataque foi precedido por semanas de intimidação. Moradores denunciaram disparos, ameaças e bloqueios nas estradas. Crianças ficaram sem acesso ao transporte escolar. A CPT alertou órgãos públicos em 21 de outubro e repetiu o aviso na véspera da derrubada da casa. Quando publicou sua denúncia, informou que nenhuma viatura havia chegado ao local até aquele momento.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária já concluiu um levantamento da área e a identificou como passível de destinação à reforma agrária. Enquanto o Incra não entrega a terra às famílias, os homens armados procuram expulsá-las pela força. Derrubam uma moradia, ameaçam a seguinte e cortam os caminhos usados pelos moradores.
Chaparral II precisa da retirada dos agressores e da conclusão do processo de destinação da terra. É necessário investigar quem enviou os homens armados e quem financia sua permanência ali. Mas os camponeses não podem ficar indefesos, à espera de uma viatura que pode chegar depois da próxima casa derrubada.
O PCO defende o amplo armamento da população e a organização da autodefesa dos trabalhadores. No campo, isso significa reconhecer o direito das famílias camponesas de se organizar para proteger suas vidas, suas casas e a terra em que trabalham diante da violência dos pistoleiros. Quem pretende expulsá-las já dispõe de armas. Proibir o povo de se defender deixa a força exclusivamente nas mãos dos agressores.
A ameaça contra Chaparral II não será encerrada com mais uma comunicação entre repartições. A terra pública deve ficar com os camponeses, e as famílias devem ter o direito de defender sua permanência nela.





