Régis Braguin afirmou que supervisionou a operação do Bope que matou Lindomar Eugênia dos Santos e Rodrigo José dos Santos Ferreira em União Bandeirantes, distrito de Porto Velho, em 30 de outubro. O coronel procurou associar os dois homens, conhecidos como Nelore e GPS, à Liga dos Camponeses Pobres (LCP). A resposta da organização foi categórica: “É queima de arquivo, NUNCA FORAM DA LCP!”.
A Liga afirma que os mortos pertenciam ao chamado bando do Jed, grupo que, segundo suas denúncias, age contra os camponeses. Acusa Braguin de tentar eliminar pessoas capazes de comprometê-lo e de usar a operação para atacar novamente a LCP. A declaração de um comandante de que houve confronto não encerra a investigação.
Em maio, após a morte de outros dois homens, a LCP já havia denunciado uma suposta queima de arquivo. A nova operação ocorreu uma semana depois de uma assembleia popular na Área Tiago Campin dos Santos. Na véspera da reunião, segundo os moradores, Braguin apareceu nas proximidades com policiais armados e quatro viaturas. Apesar da intimidação, centenas de famílias e apoiadores participaram da assembleia para discutir a regularização das terras e apresentar o que produzem na área.
A polícia insiste em apresentar a luta pela terra como atividade criminosa. Os camponeses, por sua vez, exigem o direito de continuar trabalhando onde vivem. A ameaça armada contra uma assembleia serve aos proprietários que querem retirar essas famílias da região.
Braguin declarou sua participação na supervisão da operação. Deve, portanto, explicar como ela foi planejada e executada.





