Análise Internacional

Euforia com os democratas dos EUA expõe orientação imperialista do PT

Análise Internacional debateu derrota de Trump, continuidade das guerras, crise política europeia e acontecimentos na América Latina

A derrota dos republicanos nas eleições legislativas norte-americanas foi o tema central do Análise Internacional desta quinta-feira (5), transmitido pelo Diário Causa Operária e pelo canal Arte da Guerra. Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO), e o comandante Robinson Farinazzo analisaram também as crises no Irã, na Ucrânia, na Europa e na América Latina. Chico e João Pimenta apresentaram a edição.

Ambos rejeitaram a celebração da vitória democrata como triunfo da “democracia”, mas apresentaram conclusões diferentes sobre as causas da derrota de Donald Trump.

A derrota de Trump não é vitória da democracia

Para Farinazzo, a explicação central está no descontentamento econômico dos norte-americanos.

“Não foi uma resposta antifascista, não foi uma votação em cima de caráter, não foi uma luta de bem contra o mal, foi uma luta do bolso”, afirmou.

Lembrou os bombardeios atômicos sobre o Japão e a guerra do Vietnã, conduzidos por governos democratas. “Os planos do establishment, em termos de rapinagem do mundo, eles são suprapartidários”, declarou. Previu restrições às tarifas de Trump e maior pressão pelo apoio à Ucrânia, embora tenha lembrado que a Presidência conserva o poder de veto e pode entrar em choque com o Congresso.

Rui Costa Pimenta apresentou outra explicação. Para ele, o fator decisivo foi a ruptura de Trump com a base que o elegeu para pôr fim às guerras promovidas pelos governos anteriores. A guerra contra o Irã afastou seus eleitores, num quadro agravado pela crise econômica.

“Ele não foi eleito para levar adiante a política do imperialismo. E a hora que ele decidiu levar adiante a política do imperialismo, ele sofreu uma derrota eleitoral muito importante”, afirmou Pimenta.

A derrota, disse, foi merecida: Trump “traiu o eleitorado dele”. Isso não justifica festejar os democratas.

PT se identifica com o imperialismo norte-americano

O presidente do PCO criticou a propaganda de setores do PT que apresentaram os resultados dos Estados Unidos e do Brasil como manifestações de uma mesma “onda democrática”. Citou uma publicação de Janja que retratava o Cristo Redentor e a Estátua da Liberdade fazendo o gesto do “L”.

“Os democratas não têm nada de democráticos. Essa é a representação mais feroz do imperialismo norte-americano”, declarou.

Segundo ele, a identificação expõe a orientação do PT, apesar de seu discurso eleitoral sobre soberania.

A presença de candidatos progressistas e favoráveis à Palestina entre os democratas também foi debatida. Pimenta reconheceu o desgaste da velha direção, mas negou que essas candidaturas alterem o caráter do partido. “É uma retórica esquerdista dentro de um partido imperialista”, observou, lembrando seu apoio às agressões de “Israel” contra os povos árabes.

Respondendo ao público, Pimenta disse que Lula também contrariou seu eleitorado e foi reeleito pela campanha de medo contra Flávio Bolsonaro, que atraiu inclusive eleitores insatisfeitos com o governo.

Irã e Ucrânia seguem no centro da crise

Farinazzo comentou a declaração do dirigente iraniano Mojtaba Khamenei de que a derrota republicana não deve alimentar ilusões sobre uma mudança de atitude dos Estados Unidos. Para ele, a Revolução Islâmica não depende de um dirigente, e o poderio dos mísseis iranianos torna custosa qualquer nova ofensiva.

Alertou que a ampliação da guerra poderia atingir as instalações petrolíferas do Golfo. Rui Costa Pimenta reforçou a advertência: acreditar que uma vitória democrata nas próximas eleições significaria o fim das guerras “seria o cúmulo da ingenuidade política”.

Na discussão sobre a Ucrânia, os participantes abordaram denúncias de que militares estariam sendo mantidos sob violência e em condições degradantes numa casa utilizada pela Guarda Nacional nos arredores de Kiev. O episódio provocou protestos.

Farinazzo relacionou o caso ao recrutamento compulsório. Rui Costa Pimenta chamou atenção para a resistência da população à continuidade da guerra:

“Já não é recrutamento forçado, é o recrutamento ucraniano, é recrutamento na ponta do fuzil”, disse.

Polônia e o controle dos tribunais

A crise no Tribunal Constitucional da Polônia foi outro destaque. Donald Tusk e Karol Nawrocki disputam o controle da corte em meio a protestos. O governo apresenta suas medidas como defesa do Estado de direito; opositores as denunciam como golpe.

“Mas é lógico que foi um golpe de Estado, está na cara”, avaliou Farinazzo.

Segundo ele, Tusk busca fortalecer a subordinação à União Europeia, enquanto Nawrocki representa setores nacionalistas. Comparou o caso ao poder político do STF no Brasil. “Quem tem maioria no STF decide”, resumiu.

Pimenta situou os acontecimentos numa ofensiva mais geral do imperialismo europeu para afastar governos de direita que mantêm posições relativamente favoráveis à Rússia. O objetivo, disse, é preparar o confronto com Moscou, com apoio democrata.

França debate programa enquanto PT abandona questões nacionais

Na França, o debate concentrou-se nas propostas de Jean-Luc Mélenchon, dirigente da França Insubmissa, que apresentou um programa com medidas contra a obsolescência programada, propostas de reindustrialização e a possibilidade de suspender pagamentos da dívida francesa ao Banco Central Europeu.

Pimenta caracterizou Mélenchon como centrista, oscilando entre a oposição e a adaptação ao regime. Considerou problemática sua defesa de medidas estatizantes com fundamento ecológico, por significar “um reforço extraordinário do poder do Estado contra toda a sociedade”.

Destacou, porém, que suspender o pagamento da dívida questionaria o controle bancário sobre o orçamento. Comparou o debate programático francês, que ocorre também em meio à mobilização dos estudantes, com o eleitoralismo brasileiro, marcado por acusações morais.

“Mélenchon está procurando se apresentar como uma pessoa que tem um verdadeiro programa para a França, independentemente do juízo que a gente faça do programa dele”, afirmou.

Criticou o ajuste fiscal de Lula, que não recuperará a indústria e atingirá os pobres.

Crise na Venezuela e renúncia no Paraguai

Ao tratar da retomada do diálogo entre Brasil e Venezuela, Pimenta acusou o governo Lula de hostilizar Nicolás Maduro quando este enfrentava pressões do imperialismo, inclusive dificultando a entrada venezuelana nos BRICS. A reaproximação coincidiria com uma guinada à direita em Caracas.

“Quanto mais o chavismo vai à direita, mais o PT se acha numa posição de simpatia”, afirmou, criticando a política externa brasileira.

A edição registrou a renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña após o colapso de um banco, que afetou milhões de depositantes. Para Pimenta, a crise demonstrou o potencial de mobilização popular provocado por um colapso financeiro.

A discussão terminou com uma advertência contra a identificação do Partido Democrata com a paz ou a democracia. A mudança eleitoral nos Estados Unidos não significa o fim da política de guerra, e a esquerda que comemora a vitória de um dos partidos do imperialismo acaba encobrindo esse fato.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.