A proibição das casas de apostas pelo governo Lula deverá empurrar cerca de R$25 bilhões por ano para o mercado clandestino. É o que aponta estudo da consultoria H2 Gambling Capital, apresentado nesta quinta-feira (5) pelo Poder360. Segundo o levantamento, aproximadamente 60% dos valores movimentados pelas plataformas legalizadas continuarão a ser apostados, mas fora da fiscalização brasileira.
A estimativa considera um mercado legal de cerca de R$40 bilhões anuais. A medida provisória nº 1.394, de 25 de setembro, proibiu a operação das chamadas bets. O governo não acabou com o interesse pelo jogo. Apenas abriu caminho para que o dinheiro passe a circular em empresas clandestinas.
Entre R$20 bilhões e R$30 bilhões poderão migrar para operadores no exterior, conforme a eficácia dos bloqueios aos pagamentos e a duração da proibição. São projeções, não valores já transferidos.
O prejuízo à própria arrecadação governamental é evidente. De janeiro a setembro de 2026, os operadores regulamentados renderam R$11,12 bilhões em tributos. Com o encerramento de suas atividades, essa arrecadação fica ameaçada. As plataformas clandestinas não recolherão os mesmos impostos no Brasil.
A regulamentação vigorava desde janeiro de 2025 e permitia cobrar tributos e fiscalizar as empresas. Parte da receita financiava atividades públicas. Em 2025, foram destinados R$1,6 bilhão ao esporte, R$1,3 bilhão ao turismo, R$614 milhões à segurança pública, R$459 milhões à educação e R$454 milhões à seguridade social, segundo o Ministério da Fazenda.
A pergunta é: quem pagará a conta? Essas despesas poderão ser mantidas, mas o governo terá de encontrar outras fontes de receita. Lula não tem demonstrado disposição de aliviar a carga tributária suportada pela população trabalhadora. Pelo contrário, aumentar a arrecadação tributando os pobres tornou-se uma preocupação permanente de sua política econômica.
Nada indica que uma perda bilionária será compensada com impostos sobre os grandes capitalistas. O governo poderá cobrar a fatura por meio de novos tributos ou do aumento dos existentes. E os pobres, que já pagam impostos elevados sobre produtos de consumo, deverão ser os principais prejudicados.
O governo abre mão de arrecadar com uma atividade que continuará existindo e poderá exigir mais dinheiro de quem sequer participa dela.
Os dados sobre a clandestinidade também desmentem a propaganda oficial. Levantamento da LCA Consultoria Econômica, baseado em pesquisa do Instituto Locomotiva, estimou que a parcela do dinheiro apostado em plataformas não autorizadas caiu de 41% a 55%, em 2025, para 38% a 44%, em maio de 2026.
Com o fechamento das empresas autorizadas, os jogadores serão empurrados para os sítios que o governo dizia querer combater.
Entre 2.291 entrevistados pelo Instituto Locomotiva, metade havia apostado em plataformas com pelo menos dois indícios de irregularidade, como ausência de reconhecimento facial, endereços sem o domínio .bet.br e aceitação de meios de pagamento proibidos nas casas regulamentadas. A proibição tende a ampliar o público de empresas que não respeitam os limites e as demais exigências da legislação brasileira.
Este Diário já havia mostrado que a campanha pela proibição ignorava as razões da popularidade das apostas. Pesquisa do Instituto Fecomércio-RJ revelou que 33% dos apostadores procuravam ganhar dinheiro rapidamente e 25,4% viam no jogo uma forma de obter renda extra. A procura está ligada aos baixos salários e às dificuldades econômicas da população.
O mesmo levantamento constatou que 22,3% tinham dificuldade para parar de apostar e 5,1% contraíram dívidas com o jogo. Esses problemas existem, mas não serão resolvidos por decreto. Proibir as bets não aumenta salários, não reduz os juros bancários e tampouco elimina o endividamento dos trabalhadores.
A medida ainda ameaça o financiamento do futebol. Em 2025, as casas de apostas destinaram R$1,03 bilhão aos clubes da Série A. Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo e Corinthians recorreram ao Supremo Tribunal Federal para discutir os efeitos da proibição.
Lula promoveu uma campanha moralista, ameaça perder bilhões em impostos e favorece os operadores clandestinos. Deverá tentar cobrir essa perda aumentando a tributação, fazendo os trabalhadores pagar por uma proibição que não resolveu nenhum dos problemas usados para justificá-la.




