Parentes de militares ucranianos foram até um imóvel nos arredores de Quieve depois de receberem denúncias de que homens estavam detidos e sendo agredidos no local. A pressão diante dos portões terminou com a retirada de quatro homens feridos, encaminhados ao hospital. A propriedade era usada por uma unidade da Guarda Nacional ligada ao Azov.
O confronto começou na segunda-feira, em Petropavlivska Borschahivka. Familiares relataram períodos prolongados sem contato com os homens mantidos no imóvel. Uma mulher afirmou que lhe pediram dinheiro para visitar o marido, que necessita de cuidados de saúde..
O Azov reconheceu a ligação com o local e informou que quatro militares recolhidos após deixarem suas unidades apresentavam ferimentos. A chefia da Guarda Nacional descreveu o imóvel como um centro temporário de alojamento e processamento, negando que ali funcionasse uma prisão para tortura. O Departamento Estatal de Investigações abriu um procedimento para examinar possíveis abusos de autoridade e as condições em que os homens eram mantidos.
A existência de feridos não esclarece, por si só, como ocorreram as lesões. Tampouco basta chamar o prédio de “alojamento” para responder às famílias que dizem ter sido impedidas de ver seus parentes. A apuração precisa identificar quem ordenou as detenções, por quanto tempo cada homem ficou ali, quem controlava o acesso e como os ferimentos foram produzidos.
O caso atinge uma instituição incorporada à estrutura militar ucraniana, apesar de suas origens em uma organização de extrema direita. O DCO já apontou o crescimento da influência do Azov nas Forças Armadas e as denúncias de violência ligadas ao recrutamento. Os familiares que se reuniram diante da instalação exigem algo elementar: saber onde estão os seus, poder vê-los e obter uma investigação que não seja conduzida pelos próprios responsáveis pelo imóvel.





