Cinco centrais sindicais francesas convocaram trabalhadores de todo o país a parar nesta quinta-feira (5), dois dias depois de estudantes bloquearem escolas e universidades. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) publicou um mapa dos atos e orientou seus sindicatos a reunir os trabalhadores para decidir a adesão. O alvo é o projeto de orçamento de 2027 do governo Emmanuel Macron. Salários, aposentadorias, empregos e verbas para os serviços públicos estão entre as reivindicações.
A convocação foi assinada pela CGT, pela Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), pela Força Operária (FO), pela União Nacional dos Sindicatos Autônomos (Unsa) e pela Federação Sindical Unitária (FSU). A CFDT apresentou aviso de greve para funcionários da administração central, dos municípios e dos hospitais. Empregados da Previdência Social também receberam um chamado para exigir reajuste salarial e contratações.
Na terça-feira (3), a União Estudantil e a União Sindical Liceana convocaram bloqueios em liceus e universidades. A primeira entidade afirmou que mais de 500 liceus e 50 campi estavam bloqueados naquela manhã. Os jovens anunciaram que manteriam os piquetes na quinta-feira e seguiriam para as manifestações chamadas pelos trabalhadores. A greve nacional foi marcada depois de semanas de protestos estudantis.
Os estudantes exigem professores, reformas nas escolas, mais vagas universitárias e o fim do Parcoursup, sistema de seleção para o ensino superior. Depois de receber representantes da juventude, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou a abertura de 15 mil vagas. A União Estudantil reivindica 250 mil, além de um aumento de 200 euros nas bolsas. A entidade manteve os protestos: as vagas anunciadas representam apenas 6% do que exige.
Macron também tentou conter os atos com a polícia. Em Paris, a prefeitura proibiu o percurso de uma manifestação estudantil que deveria sair do Panteão e terminar diante da sede do Movimento das Empresas da França (Medef), principal entidade patronal do país. Policiais foram enviados às proximidades de estabelecimentos de ensino. Nas jornadas de outubro, as autoridades limitaram percursos e realizaram centenas de detenções.
No sábado (31), trabalhadores, jovens e coletes amarelos fizeram a terceira grande jornada consecutiva de manifestações. O Ministério do Interior contou 320 mil participantes no país, enquanto as organizações juvenis anunciaram quase 500 mil. A polícia deslocou 70 mil agentes e gendarmes e impôs mudanças no trajeto dos atos. As centrais procuram agora levar a mobilização aos locais de trabalho, onde a interrupção das atividades pode pesar diretamente sobre o governo e os patrões.
A Confederação Camponesa se uniu aos protestos de outubro em apoio à juventude. Chamou seus filiados a defender uma renda digna para quem trabalha no campo e alimentação de qualidade para a população. A baixa remuneração do produtor e os preços cobrados das famílias colocam os camponeses na luta contra a política econômica de Macron. Em Brignoles, no sul do país, a entidade consta entre as organizações de uma manifestação marcada para esta quinta-feira.
O orçamento atinge os setores que se aproximaram nas ruas. As centrais exigem aumento do salário mínimo, reajuste das aposentadorias, empregos e mais recursos para escolas, hospitais e transportes. A CGT calcula que as empresas recebem mais de 200 bilhões de euros anuais em ajuda pública. Macron alega a necessidade de limitar gastos sociais enquanto a carestia consome os salários e os estudantes cobram condições para estudar.
Os coletes amarelos querem que a greve não termine ao fim do dia. Benjamin Ball, integrante da coordenação do movimento, defendeu uma jornada que reúna o povo para além das direções sindicais. O grupo propôs manter greves e bloqueios na sexta-feira (6) e convocou novas manifestações no sábado (7). Também quer reunir trabalhadores, estudantes, professores, camponeses e funcionários públicos para apresentar reivindicações comuns a Macron.
A organização sindical Solidaires defende prolongar a paralisação; as principais centrais ainda não assumiram esse compromisso. A CGT orientou seus sindicatos a discutir a greve em assembleias nos locais de trabalho. Enquanto se decide a adesão de cada categoria, os estudantes já anunciaram novos bloqueios e os coletes amarelos marcaram atos para os dois dias seguintes.
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