A polícia de Paris proibiu a marcha estudantil até a sede da principal entidade patronal francesa. Milhares de secundaristas e universitários foram para o centro da capital mesmo assim nesta terça-feira (3). A proibição, anunciada na véspera, pretendia deslocar o ato para a periferia. Os estudantes queriam sair do Panteão e chegar ao Movimento das Empresas da França (Medef); recusaram o trajeto imposto pelas autoridades, entre as portas de Charenton e de Montreuil.
A Interfac Île-de-France, que reúne assembleias das faculdades da região, havia convocado o protesto. A polícia identificou dois cortejos que considerou proibidos e os cercou. Após cerca de uma hora retidos, os manifestantes seguiram em direção à Sorbonne. A dispersão ocorreu por volta das 16 horas, sem confrontos registrados pela agência AFP. A operação policial conseguiu atrasar a marcha, mas não tirar os estudantes das ruas.
Os estudantes escolheram a sede do Medef como destino enquanto o governo prepara cortes nos serviços públicos. Macron respondeu decidindo por onde poderiam passar. Nos dois sábados anteriores, a polícia já havia barrado passeatas no centro parisiense. Agora a Confederação Geral do Trabalho (CGT) quer levar a manifestação de quinta-feira (5) da Bastilha até a Concórdia e ainda aguardava uma resposta sobre o percurso na segunda-feira.
Em Rennes, centenas de secundaristas saíram em passeata com professores e sindicalistas apesar de outra proibição. A manifestação seguia pacificamente quando a polícia a dispersou e cercou dezenas de alunos para identificá-los. Na região de Estrasburgo, o representante do governo no departamento do Baixo Reno proibiu durante a semana protestos reivindicativos a menos de 50 metros de 11 liceus. Em Lille, policiais foram colocados diante de cerca de dez escolas.
Os piquetes continuaram. Alunos do liceu Bréquigny, em Rennes, fecharam a entrada após a passagem da polícia pela manhã. Caçambas bloquearam o portão do Louis-le-Grand, em Paris. Na Universidade de Lille, os campi de Moulins e Pont-de-Bois fecharam após bloqueios. A Dauphine-PSL anunciou fechamento até quinta-feira; a Sorbonne-Nouvelle também suspendeu as atividades no campus Nation.
A União Sindical Liceana (USL) contou 500 liceus bloqueados na terça-feira, de um total aproximado de 3.700. A União Estudantil também anunciou mais de 50 campi bloqueados até o meio da tarde e afirmou que os protestos atingiam uma universidade em cada duas.
O ministro Edouard Geffray, cuja política priva os alunos do direito à instrução, diz que os bloqueios privam os alunos do direito à instrução e ameaça recorrer à Justiça quando funcionários das escolas forem agredidos. Diante do liceu Toulouse-Lautrec, em Toulouse, um professor de matemática descreveu turmas de 35 alunos e um edifício impróprio para o calor e para o frio. Os estudantes reivindicam dez bilhões de euros para a educação e o fim do Parcoursup, plataforma que seleciona o acesso ao ensino superior. Nenhum policiamento resolve a falta de professores, vagas e instalações adequadas.
Depois de mais de um mês de manifestações, o governo anunciou 500 postos adicionais, 15 mil vagas no ensino superior e um limite de 28 alunos para determinadas turmas. Prometeu ainda trocar gradualmente o Parcoursup até 2028. As organizações estudantis haviam exigido 250 mil vagas; quem se candidata à universidade agora continuaria submetido ao mesmo sistema de seleção. A diferença entre o que os estudantes pedem e o que Macron oferece explica por que a volta às aulas trouxe novos bloqueios.
A jornada desta terça-feira prepara o encontro dos estudantes com a classe operária. CGT, CFDT, Força Operária, Unsa e FSU convocaram para 5 de novembro greves e manifestações contra o orçamento de Macron. Os trabalhadores reivindicam salários e aposentadorias maiores, defesa dos empregos e recursos para os serviços públicos. A CGT anunciou mais de 200 atos pelo país. As organizações estudantis pretendem manter os bloqueios na quinta-feira e se juntar às passeatas. Integrantes dos coletes amarelos, que também vêm se manifestando contra a carestia, anunciaram participação.





