Um empresário conhecido como MK foi preso nesta quinta-feira (29) em Vespasiano, na Grande Belo Horizonte. Era o último foragido da Operação Gargântua, investigação contra um grupo suspeito de oferecer empréstimos com juros abusivos e impor cobranças por meio de ameaças e violência.
A Polícia Civil identificou ao menos 30 possíveis vítimas. Cinco teriam sido torturadas; algumas tiveram dedos amputados, segundo a investigação. Os policiais afirmam que os agressores usavam máscaras e roupas militares. A participação de cada investigado nos crimes ainda precisa ser estabelecida no processo.
A primeira fase da operação ocorreu em agosto, com buscas e prisões em municípios mineiros. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores estimados em aproximadamente R$ 22 milhões. Veículos, embarcações, armas e dinheiro foram apreendidos. Para os investigadores, empresas de fachada ajudavam a movimentar os recursos do esquema.
A brutalidade das cobranças é o centro da investigação criminal. Há também uma pergunta sobre as vítimas: o que leva uma pessoa a aceitar dinheiro de credores capazes de impor juros tão altos? O salário insuficiente, as contas atrasadas e a falta de uma saída para dívidas anteriores empurram trabalhadores para empréstimos que se tornam cada vez mais difíceis de pagar.
O problema do endividamento vai além deste grupo. Mesmo no crédito oferecido legalmente por bancos, parcelas descontadas do salário comprometem a renda do trabalhador. Os crimes atribuídos aos suspeitos de Minas exigem apuração e punição; a dependência crescente do crédito exige uma resposta política contra os juros e os baixos salários.





