Flávio Bolsonaro teve de se refugiar nos Estados Unidos porque, no Brasil governado por Alexandre de Moraes, já não há garantias constitucionais. Sete minutos depois de confirmada a vitória de Lula, a Polícia Federal pediu a apreensão de seus passaportes. Moraes acolheu o pedido naquela noite. A decisão permanece sob sigilo. Qual era a urgência que só apareceu depois da derrota eleitoral?
O senador é investigado por suspeitas financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz. Que se investigue. Isso não dispensa a apresentação de motivos concretos para proibi-lo de viajar. Flávio descumpriu a ordem e saiu do País, mas a própria Polícia Federal esclareceu que a restrição dos documentos não o torna, por si só, foragido. Deputados do PT pediram sua prisão e um alerta à Interpol, a polícia mundial do imperialismo, usada para perseguir inimigos do governo dos EUA. A pressa para prendê-lo iguala o silêncio para explicar por que seus direitos foram restringidos.
Flávio Dino abriu outra frente. Recebeu uma petição do PT sobre suposta interferência estrangeira na campanha dentro de uma ação referente a litígios da mineração. Reconheceu que o assunto eleitoral não pertencia àquela causa, mas mandou a PF abrir um inquérito. Dois ministros, dois caminhos diferentes e o mesmo resultado: o candidato derrotado passa a ser cercado por medidas policiais assim que termina a votação.
Lula conquistou a Presidência. O PL, porém, é o partido que mais elegeu governadores e terá as maiores bancadas da Câmara e do Senado. O bolsonarismo conserva força para pressionar o STF e cobrar o impeachment de seus ministros. Moraes tem razões de sobra para temer essa pressão. A eleição não resolveu o problema do tribunal, e o tribunal agora pretende resolvê-lo por conta própria.
Justamente Moraes deveria estar dando explicações à Justiça. O escritório de sua mulher firmou um contrato de R$131 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Numa versão do documento, a Polícia Federal encontrou alterações atribuídas a uma conta em nome do ministro. O escritório confirmou que ele examinou a minuta.
Vorcaro também enviou mensagens ao ministro. Conversas da equipe do Master registram a participação de Moraes na preparação de encontros pagos pelo banqueiro em Londres. Vieram a público, ainda, informações sobre viagens em aeronaves ligadas ao círculo do banco. A polícia não recuperou as respostas do ministro às mensagens, porque ele as apagou. Em vez de afastá-lo imediatamente do cargo, deixam-no exercer todo o poder do cargo contra um adversário político.
Flávio saiu do Brasil; Moraes continua no STF. O primeiro teve seus passaportes cancelados no dia seguinte à eleição. O segundo segue mandando na polícia apesar do lamaçal em que está envolvido da careca aos pés. Se houvesse justiça para quem veste toga, Moraes já teria sido afastado e provavelmente estaria no xadrez. No Brasil governado por Moraes, porém, é o homem que exige explicações do ministro que precisa procurar abrigo fora do País.





