Um sargento da Polícia Militar e um assessor parlamentar foram presos nesta quarta-feira (28) durante uma operação contra uma rede suspeita de explorar sexualmente adolescentes na região metropolitana do Rio de Janeiro. Policiais cumpriram ordens de prisão e buscas em Niterói, São Gonçalo e Maricá. A investigação apura a produção de gravações de violência sexual e seu uso para ameaçar as vítimas.
A apuração começou em julho, depois que uma adolescente de 16 anos procurou a polícia com seus pais. Um assessor parlamentar foi preso naquele mês. Celulares e computadores recolhidos pelos agentes forneceram elementos para investigar a participação de outras pessoas. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos ameaçavam divulgar as imagens para manter as adolescentes sob seu controle e submetê-las a novos abusos.
Entre os presos na operação estão o terceiro-sargento Maurício Douglas Souza das Chagas Moura e Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho, assessor da deputada federal Talíria Petrone (PSOL). O assessor preso em julho trabalhava para o vereador de Niterói Professor Túlio. São vínculos diferentes, em momentos diferentes da investigação, que devem ser apresentados com precisão. As acusações são graves; cabe apurar o que cada investigado fez, sem tratar a prisão como condenação.
A participação de um policial militar entre os investigados exige esclarecer se ele usou o cargo, seus contatos ou os recursos da corporação para cometer ou encobrir algum crime. A Corregedoria da PM acompanhou o cumprimento da ordem de prisão. Sua atuação administrativa não dispensa a investigação criminal independente sobre todos os envolvidos.
O trabalho também não pode terminar com a divulgação dos nomes dos presos. A polícia procura outras possíveis vítimas e examina o material apreendido. As adolescentes precisam ter sua identidade protegida e condições de prestar depoimento sem que as imagens usadas para chantageá-las sejam novamente expostas. É preciso identificar os responsáveis pelos crimes, reunir provas contra eles e garantir às vítimas a proteção que lhes foi negada enquanto as ameaças continuavam.





