A assembleia prevista para discutir a situação das terras tornou-se alvo de intimidação. Segundo denúncias divulgadas por A Nova Democracia e reproduzidas pelo Heraldo Rojo, Régis Braguin apareceu em 23/10 com quatro veículos ocupados por homens armados no local onde camponeses de Rondônia se reuniriam. As entidades também denunciaram a destruição de um trator em uma ação policial contra as famílias.
Braguin foi comandante da Polícia Militar de Rondônia. Seu nome é conhecido pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP), que o acusa de perseguição. Após uma operação do Bope que matou um camponês na Área Valdiro Chagas, em 08/08/2025, ele anunciou a morte dizendo que a polícia havia “neutralizado um terrorista da LCP”. A Associação Brasileira de Advogados do Povo denunciou naquela ocasião disparos e voos rasantes de helicópteros sobre as famílias.
Em comunicado de 19/10, a Liga afirmou que não se deixaria intimidar. Também acusou Braguin de fazer campanha eleitoral atirando contra um bloco com o nome da organização. O Comitê de Apoio à Luta pela Terra convocou solidariedade aos camponeses depois da denúncia sobre a assembleia.
O objetivo político da intimidação é claro: impedir que famílias se reúnam para defender sua permanência na terra. O conflito agrário de Rondônia opõe trabalhadores que querem viver do próprio trabalho a proprietários interessados em conservar o latifúndio. Armas e perseguição policial entram nessa disputa para sufocar a organização camponesa.
Sindicatos, movimentos populares e entidades democráticas precisam garantir apoio público à assembleia e às famílias ameaçadas. A LCP reivindica a expropriação do latifúndio e a entrega da terra a quem nela trabalha. Ninguém que defenda esse direito deve ser tratado como terrorista.





