Crianças da comunidade Chaparral II, no norte do Tocantins, ficaram sem conseguir chegar ao transporte escolar após homens armados bloquearem as estradas de acesso. É uma das consequências do cerco denunciado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pela Articulação Camponesa de Luta pela Terra e Defesa dos Territórios. Segundo as organizações, os homens chegaram à área em 20/10 e passaram a ameaçar as famílias de expulsão.
A denúncia identifica o grupo como seguranças privados a serviço da empresa Chaparral Ltda. Relata disparos de armas de fogo e intimidação de crianças, idosos e adultos. As famílias registraram os acontecimentos em boletim de ocorrência. A CPT reivindica a retirada dos homens armados, a liberação das vias e a investigação do caso por órgãos federais, já que a terra pertence à União.
A comunidade fica na divisa de Araguaína com Pau D’Arco. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já realizou um levantamento da área e a identificou como passível de destinação à reforma agrária. Enquanto essa destinação não ocorre, as famílias permanecem expostas à pressão de interesses privados. A CPT afirma que não é a primeira vez que moradores da Chaparral II sofrem intimidações.
O bloqueio da escola mostra até onde vai a tentativa de expulsão. Não se trata apenas de impedir o cultivo ou a circulação dos camponeses: busca-se tornar impossível a vida das famílias no local. O Incra deve destinar a terra pública a quem nela mora e trabalha. A providência urgente é proteger os moradores e restabelecer o acesso das crianças às aulas.





