Lula venceu a eleição presidencial, mas o PL saiu das urnas com muito mais força no Congresso do que tinha quando ele chegou ao Planalto, há quatro anos. O PT elegeu 68 deputados federais em 2022 e 70 agora. O partido dos Bolsonaro passou de 99 para 121. Se Lula já dependia de acordos com a direita para governar, a bancada que enfrentará a partir de fevereiro de 2027 lhe dará menos espaço para recusar suas exigências.
Em 2022, a federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu 80 deputados. PSB e federação PSOL-Rede fizeram 14 cada, e o PDT, 17. Reunidas, essas bancadas tinham 125 cadeiras. Neste ano, a federação petista elegeu 88; PSB e PSOL-Rede, 15 cada; e o PDT, apenas seis. A soma caiu para 124.
O contraste está no destino dos partidos. Enquanto o PL acrescentou 22 deputados à bancada anunciada em 2022, o PT ganhou dois. O crescimento dos demais integrantes de sua federação foi anulado, para o conjunto dos aliados, pela queda do PDT de 17 para seis eleitos. O PSB e o PSOL-Rede mudaram pouco. Lula obteve outro mandato, mas as eleições parlamentares não lhe deram uma força correspondente.
No Senado, o avanço do PL foi ainda maior. Após o segundo turno de 2022, a projeção publicada pela Casa lhe atribuía 14 das 81 cadeiras, contra nove do PT. Encerradas as eleições deste ano, a projeção para fevereiro de 2027 é de 29 senadores do PL e dez do PT. Se forem somados PT, PSB, PDT e Rede, o núcleo de aliados de Lula terá 16 senadores — 13 a menos que o PL sozinho.
A projeção mais recente já considera as substituições provocadas pelo segundo turno nos estados. Alex Diniz, do PL, deverá assumir a cadeira de Cleitinho, eleito governador de Minas Gerais. Cheila Moreira, do PT, ocupará a vaga de Omar Aziz, eleito governador do Amazonas. Mudanças de partido e decisões da Justiça Eleitoral ainda podem modificar a composição até a posse.
O PL não tem maioria por conta própria em nenhuma das Casas. Isso não resolve o problema de Lula. Na Câmara, os 124 deputados das quatro bancadas citadas estão longe dos 257 votos de uma maioria absoluta. No Senado, seus 16 integrantes tampouco chegam perto das 41 cadeiras necessárias. Para aprovar projetos, disputar o comando do Congresso e obter apoio às indicações do governo, o presidente terá de negociar com dirigentes do MDB, PSD, União Brasil, PP e outros partidos da direita.
Foi para atrair esses setores que a direção do PT defendeu a frente ampla. Cedeu espaço em disputas estaduais, apoiou candidatos de outras legendas e apresentou os acordos como condição para derrotar o bolsonarismo. Lula se reelegeu, mas o PL ampliou sua presença nas duas Casas. Os partidos que podem fornecer os votos restantes ao governo conservaram, assim, o poder de cobrar por cada apoio. O Diário Causa Operária advertiu durante a campanha que sacrificar candidaturas próprias deixaria o PT mais dependente desses acordos depois da eleição.
Quanto mais o governo depender dos votos que não elegeu, mais força terão os donos dessas bancadas para exigir concessões.





