Nikolas Ferreira passou a noite de domingo (25/10) junto de Flávio Bolsonaro, questionando o resultado da eleição presidencial. Disse que o PL contestaria a votação e escreveu: “Ou a gente ganha, ou a gente ganha. Está avisado”. Mas na segunda-feira (26/10), gravou um vídeo com outra ordem para os mesmos eleitores: “Não façam isso”, afirmou ao pedir que não saíssem às ruas.
Flávio não reconheceu a vitória de Lula. Acusou o ministro Cristiano Zanin de alterar as regras durante a votação, por ter prolongado até as 19 horas o funcionamento das seções que ainda estavam abertas, e anunciou que pediria a anulação da eleição. Nikolas inicialmente acompanhou a denúncia. Chamou o resultado de “impossível de reconhecer”, criticou a decisão de Zanin e questionou o aumento dos votos de Lula entre os dois turnos.
Horas depois, o deputado continuava a falar em indignação e perguntas sem resposta, mas já não queria que seus seguidores agissem de acordo com essas palavras. “Conhecendo o nosso país, a chance de anular essa eleição é praticamente nula, e a prudência agora com as vidas que estão em jogo deve falar mais alto que qualquer ímpeto do nosso coração”, declarou no vídeo divulgado nesta segunda. Em seguida, pediu que não houvesse manifestações. O candidato anunciava uma batalha pela anulação, mas um de seus maiores cabos eleitorais tratava de desmobilizar a base que poderia sustentá-la.
Nesse intervalo, os dirigentes dos partidos que apoiaram Flávio começaram a abandoná-lo. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, e Baleia Rossi, presidente do MDB, reconheceram a vitória de Lula ainda no domingo. Na segunda-feira, Antonio Rueda, dirigente do União Brasil, também cumprimentou o presidente reeleito. O partido havia prometido apoio “incondicional” a Flávio durante a campanha. Ronaldo Caiado, que apoiou o senador no segundo turno, declarou que se curvava à decisão oficial.
Os banqueiros se anteciparam a todos eles. A Federação Brasileira de Bancos divulgou às 21h43 de domingo uma nota parabenizando Lula e Geraldo Alckmin. A Febraban saudou a conclusão da eleição e ofereceu sua “capacidade técnica” à equipe econômica do próximo mandato. Flávio ainda anunciava uma contestação, mas a entidade que representa os bancos já se preparava para tratar com o vencedor.
A ação de Nikolas mostra a que posição ele se ajustou. Quando Flávio denunciou a eleição, o deputado apareceu ao seu lado. Quando os setores dominantes da direita e do grande capital reconheceram Lula, avisou aos bolsonaristas que anular o pleito era praticamente impossível e que não deveriam protestar.
O bolsonarismo saiu derrotado da disputa presidencial, mas Flávio recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21% dos válidos. O PL também elegeu a maior bancada do Senado. Essa força serve aos políticos da direita quando há votos a disputar. Já a tentativa de mobilizá-la contra uma eleição reconhecida pelos bancos e pelos dirigentes dos partidos aliados encontrou resistência dentro do próprio campo de Flávio.
Nikolas pretende conservar sua influência sobre os eleitores bolsonaristas sem acompanhar Flávio no confronto que o senador anunciou. Por isso ainda lhes diz que há motivos para revolta, enquanto lhes pede que não saiam de casa, seguindo a linha de estabilização estipulada pelos bancos.





