A empresa norte-americana Axon forneceu pistolas de choque a órgãos de segurança de “Israel” por meio de distribuidoras. Uma investigação do The Guardian e da Arab Reporters for Investigative Journalism confrontou esses negócios com os relatos de quatro palestinos libertados das prisões israelenses. Eles afirmam ter sido torturados com equipamentos que identificaram como armas da fabricante.
Em 2016, uma distribuidora firmou contrato de 13 milhões de xéquels para fornecer pistolas de choque e acessórios. A investigação identificou outra distribuidora da Axon em 2025 e apontou a polícia e o serviço prisional israelenses entre os clientes da empresa. O fornecimento ocorreu enquanto organizações palestinas e internacionais acumulavam denúncias sobre o tratamento dispensado aos presos.
Um dos ex-detentos, identificado como Issa, havia perdido os dois pés num ataque à sua casa antes de ser capturado em Jabalia, em janeiro de 2024. Ele contou que foi amarrado, espancado e submetido a choques elétricos. Outros três palestinos relataram agressões com armas que atribuíram à Axon entre 2024 e 2025. A investigação examinou marcas no corpo de Issa e outros elementos ligados aos depoimentos.
As denúncias sobre choques não aparecem isoladas. Organizações de defesa dos prisioneiros também relatam espancamentos, violência sexual e falta de atendimento médico nas cadeias de “Israel”. O DCO vem registrando essas acusações e a dificuldade das famílias para obter informações sobre os detentos.
É preciso apurar a responsabilidade por cada agressão denunciada e interromper o fornecimento de instrumentos de repressão aos órgãos acusados de praticá-las. Os contratos com fabricantes dos EUA ajudam a equipar o sistema prisional onde palestinos afirmam ter sofrido a tortura.





