A poeta e romancista palestina Heba Abu Nada tinha 32 anos quando foi morta em um bombardeio israelense na Faixa de Gaza. Seu assassinato interrompeu uma trajetória literária dedicada à experiência de seu povo, mas seus escritos continuaram a circular entre leitores palestinos e de outros países.
Heba escrevia poesia e prosa e havia conquistado reconhecimento por seu romance. Em seus textos, o cotidiano de Gaza aparecia a partir da voz de quem vivia sob bloqueio e ocupação. O ataque que a matou atingiu também essa possibilidade de registrar a própria realidade sem a mediação dos governos e da imprensa favoráveis a “Israel”.
A recordação de sua vida, retomada por uma publicação de Opera Mundi, põe um nome e uma obra diante dos números de mortos da ofensiva contra Gaza. Bibliotecas, universidades, jornalistas, professores e artistas palestinos foram atingidos juntamente com suas comunidades.
Preservar e divulgar a produção de Heba Abu Nada é uma forma de enfrentar o apagamento cultural que acompanha a destruição material. Seus livros e poemas seguem como parte da resistência do povo palestino.





