Famílias do povo Laklãnõ-Xokleng receberam em agosto uma ordem judicial para deixar uma área junto à Barragem Norte, em José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí. A determinação de retirada coercitiva imediata foi suspensa em 20 de agosto, mas a disputa pela permanência no território continua.
A barragem começou a ser construída na década de 1970 dentro das terras tradicionais desse povo. Os indígenas denunciam alagamentos, perda de áreas produtivas e deslocamentos, além do descumprimento das reparações prometidas pelo Estado. Segundo a liderança Cabechuim-Ló, moradores não indígenas da região receberam indenizações, enquanto os Laklãnõ-Xokleng não tiveram compensação equivalente pelas perdas materiais e culturais.
A liderança questiona o sentido da ordem judicial: “Para onde eu vou?”, perguntou ao relatar a ameaça de retirada de famílias que vivem em seu próprio território. Também denunciou a divulgação de informações antigas como se retratassem o conflito atual, alimentando ataques racistas à comunidade.
A Nova Democracia registrou que os indígenas cobram o cumprimento de acordos há muitos anos. A pressão recente ocorre em meio à ofensiva do marco temporal, tese que tenta limitar o reconhecimento de terras indígenas à situação existente em 5 de outubro de 1988. Ela ignora as expulsões anteriores a essa data.
Apesar da ameaça de despejo, as famílias permanecem na área e reivindicam reparação pelos danos da barragem, demarcação e condições para viver no território. Cabechuim-Ló resumiu a decisão da comunidade: “A luta não pode parar.”





