EUA

Trump é mais impopular que nunca e deverá perder eleições de novembro

Com 31% de aprovação, presidente paga o preço da guerra contra o Irã, do encarecimento dos combustíveis e das disputas dentro do Partido Republicano

A aprovação de Donald Trump caiu para 31%, o menor índice dos seus dois mandatos na Presidência dos Estados Unidos. A pesquisa Reuters/Ipsos, encerrada na segunda-feira (19), também registrou 66% de desaprovação. A queda ocorre a duas semanas das eleições de 3 de novembro, nas quais serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço do Senado. Os democratas aparecem com 47% das intenções de voto para o Congresso, contra 35% dos republicanos.

A vantagem democrata cresceu de sete para 12 pontos em duas semanas. Foram ouvidos 1.679 adultos, entre eles 1.279 eleitores registrados. Outra pesquisa, do Washington Post, da ABC News e da Ipsos, encontrou 33% de aprovação e 66% de desaprovação. Os números registram o desgaste das promessas que sustentaram a volta de Trump à Casa Branca.

Trump prometeu recuperar a indústria, baratear a energia, reabrir fábricas e pôr fim às guerras. Apresentou-se como adversário dos políticos de Washington que gastam fortunas com intervenções militares enquanto antigas cidades industriais empobrecem. Trabalhadores e pequenos proprietários que votaram nele esperavam menos despesas militares e melhores condições de vida. Receberam outra política.

Trump tentou atender simultaneamente aos eleitores atraídos pelo discurso nacionalista e aos monopólios, ao capital financeiro e ao comando militar, interessados em preservar o poder mundial dos Estados Unidos. Quando as exigências entraram em choque, prevaleceu a política do imperialismo. O presidente passou a disputar com os democratas a maneira de conduzir as guerras, sem romper com seus objetivos fundamentais.

Na Ucrânia, a promessa de encerrar rapidamente a guerra deu lugar a pressões e recuos. Trump manteve o apoio ao governo de Volodimir Zelensqui, embora sem reproduzir integralmente a orientação de Joe Biden, e adotou medidas contra a Rússia. Em setembro, assinou a Lei Graham, aprovada pelo Congresso, que previa sanções e tarifas sobre empresas e países envolvidos em negócios com Moscou. A ofensiva trouxe dificuldades para o próprio governo.

Ataques ucranianos a refinarias e instalações petrolíferas russas afetaram a oferta de derivados. A guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã agravou a crise energética. O estreito de Ormuz, passagem estratégica do petróleo mundial, permanece sujeito a severas restrições, ataques a embarcações e obstáculos ao transporte de cargas. A alta internacional da energia chegou aos postos norte-americanos.

No Irã, Trump também não alcançou o resultado anunciado. O governo norte-americano não conseguiu obrigar Teerã a aceitar suas exigências sobre o programa nuclear nem normalizar a navegação por Ormuz. As negociações permanecem paralisadas por divergências quanto ao bloqueio naval e às sanções. A guerra prossegue como uma fonte de instabilidade econômica, apesar das sucessivas declarações de vitória de Trump.

Na semana de 19 de outubro, o galão de gasolina comum custava em média US$4,284 nos Estados Unidos, US$1,265 acima do preço de um ano antes. O diesel chegou a US$6,276 por galão. Seu encarecimento eleva os custos dos fretes rodoviários, da agricultura e da distribuição de mercadorias. A conta aparece tanto no abastecimento dos automóveis como nos preços pagos pelas famílias.

A Reuters/Ipsos encontrou 68% de desaprovação à condução da economia, incluindo 37% dos entrevistados que se identificam como republicanos. Questionados sobre qual partido administraria melhor a economia, 40% escolheram os democratas e 33%, os republicanos. O presidente eleito prometendo reduzir o custo de vida chega à eleição legislativa associado à carestia provocada também por sua política externa.

Para tentar reduzir os preços, Trump negociou diesel com a Rússia. Em 9 de outubro, anunciou um entendimento para liberar mais de 300 mil toneladas do combustível, com novas remessas previstas para novembro. No dia 16, dispensou a aplicação de sanções e tarifas previstas na Lei Graham, alegando interesse nacional. Não revogou a lei nem todas as sanções anteriores, mas suspendeu medidas que havia sancionado um mês antes.

O imperialismo pretendia enfraquecer a Rússia enquanto Kiev atacava seu setor petrolífero. O conflito com o Irã agravou a falta de energia barata e, a duas semanas da eleição, a Casa Branca recorreu ao diesel do país que buscava castigar. O recuo não encerrou a guerra e indignou os falcões, congressistas defensores de uma política ainda mais agressiva contra Moscou.

Don Bacon, deputado republicano de Nebrasca, condenou o recuo nas sanções e as restrições à ajuda militar e de inteligência para a Ucrânia. Brian Fitzpatrick, da Pensilvânia, propôs bloquear compras de petróleo russo e ameaçou agir no Congresso contra medidas do governo. A insatisfação alcançou o Senado, onde parlamentares dos dois partidos contestaram a dispensa das penalidades previstas na Lei Graham.

Não é uma rebelião contra as guerras imperialistas. Bacon, Fitzpatrick e seus aliados querem ampliar a pressão sobre Moscou. Trump recebe críticas simultâneas dos republicanos favoráveis a mais armamentos para Kiev e de setores de sua base contrários ao envolvimento no Irã. Cada concessão feita a uma dessas alas agrava a insatisfação da outra.

A disputa tem consequências práticas. Em 19 de outubro, a Câmara reunia 218 deputados republicanos, 214 democratas, um independente e duas cadeiras vagas. Com uma maioria tão apertada, poucas deserções podem derrubar propostas da Casa Branca. Bacon deixará o Congresso em janeiro e tem menos motivos para obedecer à direção partidária. Deputados derrotados em novembro também poderão desafiar Trump na reta final do mandato.

O orçamento militar é um dos pontos mais vulneráveis. A Casa Branca solicitou US$1,5 trilhão para 2027, incluindo US$350 bilhões adicionais em despesas obrigatórias, sujeitos a votação específica no Congresso. Os parlamentares defensores de novas pressões contra a Rússia poderão usar essas verbas como instrumento de negociação. O pedido bilionário contrasta com a promessa de retirar dinheiro das guerras para recuperar a economia interna.

O Congresso atual continuará trabalhando até janeiro, na sessão de transição. Nesse intervalo, o governo terá de negociar verbas e projetos com deputados que já não enfrentarão o eleitorado. O financiamento provisório de serviços federais exigirá novo acordo antes de vencer em dezembro. Uma disputa prolongada pode produzir outra paralisação administrativa, somando um problema orçamentário às dificuldades políticas de Trump.

A reindustrialização também está distante dos resultados prometidos. Segundo o Departamento do Trabalho, foram criados apenas 29 mil empregos líquidos fora da agricultura em setembro, com desemprego de 4,2%. As tarifas comerciais não eliminaram a dependência da produção norte-americana em relação ao mercado mundial nem protegeram os trabalhadores dos custos crescentes da energia.

Os democratas procuram tirar proveito dessa crise. Saíram profundamente desgastados do governo Biden, que sustentou a guerra na Ucrânia e apoiou “Israel”. Parte dos votos recebidos por Trump em 2024 foi motivada pelo repúdio àquela política. Agora, o desgaste republicano permite que o partido derrotado se apresente novamente como alternativa, sem ter abandonado suas próprias prioridades imperialistas.

A vantagem nacional dos democratas não se distribui uniformemente pelos distritos da Câmara e pelos estados que elegerão senadores. Os republicanos mantêm vantagens em diversas disputas locais. Mas uma mudança de maioria na Câmara daria aos democratas condições para bloquear projetos e investigar a Casa Branca; a perda do Senado atingiria também indicações e negociações orçamentárias. A disputa eleitoral ocorre enquanto a própria bancada governista ameaça dificultar a ação de Trump antes de janeiro.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.