As projeções dos lucros líquidos dos maiores bancos nacionais para o terceiro trimestre de 2026 já estão aí para todo mundo ver. Divulgadas após a burocracia sindical fechar acordos com reajustes salariais miseráveis para os bancários, elas trouxeram à tona o mar de dinheiro em que os banqueiros estão nadando.
Enquanto isso, a burocracia sindical defende como uma “vitória” ou “conquista” o minúsculo reajuste estabelecido na última campanha salarial. Nela, os sindicalistas abandonaram a luta pela reposição integral das perdas (reivindicando apenas a inflação oficial dos últimos doze meses) e por um aumento real dos salários (que deveria ser de, pelo menos, 20%, diante da enorme lucratividade dos bancos) e impuseram pautas rebaixadas, mantendo a categoria sob o arrocho salarial.
Durante toda a campanha salarial, a Corrente Sindical Nacional Causa Operária, Bancários em Luta, denunciou a política patronal da burocracia. A burocracia (PT, PCdoB), que está à frente dos maiores sindicatos, e a suposta “oposição” (agrupada na CSP-Conlutas, na UP, no PCBR e em setores do PSOL) abandonaram a luta pela reposição das perdas salariais, defendendo e aprovando um reajuste miserável que não atende aos interesses da categoria.
A categoria amarga uma crescente perda salarial. Os trabalhadores dos bancos públicos, por exemplo, acumulam perdas de mais de 27% do poder de compra dos salários desde o governo do famigerado FHC (PSDB). No entanto, a burocracia aprovou um acordo miserável de dois anos, com a “valorização” de 0,6% no piso salarial e em outras verbas.
A burocracia sindical, por meio de seus informativos, tenta passar a ideia de que a categoria, nos últimos tempos, “assegurou reajustes acima da inflação”, acumulando um ganho real de 2,62% nos últimos três anos. O trabalhador, que não é ingênuo, sabe muito bem que isso é conto do vigário.
Todo mundo sabe que a tal inflação medida pelos órgãos oficiais não reflete a inflação real que pesa no bolso do trabalhador (alimentação, transporte, aluguel, tarifas públicas, plano de saúde etc.), muito maior do que a indicada pelas médias de preços calculadas pelos institutos do governo. Essa mesma burocracia, que se vangloria de “conquistar” o miserável “ganho real” de 2,62%, fechou um acordo com os banqueiros no qual o piso da categoria foi estabelecido em R$ 3.500, sendo que o salário mínimo calculado pelo departamento dos sindicatos (Dieese) é de R$ 7.500. Ou seja, o salário de ingresso de um bancário não chega à metade de um salário mínimo que deveria garantir as necessidades básicas de uma família de trabalhadores, conforme a Constituição brasileira.
O lucro dos bancos revela que esta foi mais uma derrota, na qual a política da burocracia ainda conseguiu ajudar os banqueiros e o governo a manter o arrocho salarial, apesar da enorme disposição de luta demonstrada pela categoria.





