Maryam Ghanem tem dois anos e meio. Jornalistas a retiraram com queimaduras de um edifício atingido por “Israel” no bairro de Remal, na Cidade de Gaza. Sua mãe morreu no ataque; o pai havia morrido anteriormente. Em 18/10, o nome da menina apareceu diante das câmeras de uma partida de futebol americano em Londres, escrito no rosto do jogador Azeez Al-Shaair.
Al-Shaair, do Houston Texans, enfrentava o Jacksonville Jaguars. Antes do jogo, escreveu “Maryam Ghanem” na faixa preta usada pelos atletas para reduzir o reflexo da luz. Essa foi a quinta semana seguida em que levou o nome de uma criança palestina ao campo. Em setembro, começou a série com Hind Rajab, de cinco anos, morta após soldados “israelenses” dispararem contra o carro em que sua família se encontrava.
A NFL multou o jogador em US$ 11.491 por violar suas regras de vestuário. O atleta de basquete Kyrie Irving ofereceu-se para pagar a penalidade. Al-Shaair manteve as homenagens. Ao falar da multa, perguntou aos jornalistas quanto vale a vida de uma criança — uma resposta à tentativa da liga de reduzir seu gesto a uma infração de uniforme.
Há uma escolha deliberada em escrever nomes. Estatísticas de mortos e feridos podem ser repetidas até perderem o efeito sobre o público; Maryam e Hind obrigam o espectador a identificar pessoas, idades e histórias. Uma sobreviveu com queimaduras e sem os pais. A outra foi morta dentro de um automóvel.
A NFL pode punir a inscrição no equipamento do atleta. Não conseguiu impedir que, pela quinta semana, a transmissão mostrasse uma criança palestina cuja história os bombardeios de “Israel” tentaram interromper.





