Eleições 2026

PCO decidirá no domingo posição sobre o segundo turno

Ao contrário de UP, PSTU e PCB, que anunciaram apoio a Lula por decisão unilateral de suas direções, o PCO reunirá seus militantes domingo, em São Paulo

O Partido da Causa Operária (PCO) realizará neste domingo (11), em São Paulo, uma Conferência Nacional para decidir sua posição no segundo turno das eleições presidenciais. A reunião contará com militantes de diferentes estados, que farão um balanço do primeiro turno, analisarão a situação política nacional e internacional e votarão uma resolução sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O procedimento é diferente daquele adotado pela Unidade Popular (UP), pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). As três organizações já anunciaram apoio a Lula, por decisão unilateral de suas direções, sem convocar qualquer reunião para que o conjunto de sua militância deliberasse sobre o segundo turno.

A UP anunciou sua posição nesta quinta-feira (8). A decisão foi tomada pela Executiva Nacional e divulgada pela ex-candidata presidencial Samara Martins e pelo presidente da organização, Leonardo Péricles. O PSTU havia anunciado o chamado “voto crítico” em Lula na quarta-feira (7), enquanto o PCB publicou sua resolução de apoio ao petista na terça-feira (6).

Nos três casos, a direção definiu arbitrariamente a política que os militantes deverão seguir. A contradição é flagrante: organizações que se apresentam como revolucionárias e defensoras do poder dos trabalhadores concentram em seus dirigentes decisões que deveriam ser discutidas e votadas pela militância.

O PCO, ao contrário, aplica o centralismo democrático, princípio de organização dos partidos revolucionários marxistas. A direção apresenta suas análises e propostas, os militantes discutem, podem defender posições diferentes e a decisão é tomada pelo voto dos delegados eleitos pela base. A resolução aprovada passa então a orientar a atuação de todos os membros do Partido.

Não se trata de transformar cada decisão em uma consulta interminável, embora nas conferências do PCO haja discussões longas para resolver as divergências que aparecem na discussão. O centralismo democrático pressupõe liberdade de discussão e unidade de ação. A disciplina partidária decorre da decisão coletiva, e não da obediência à vontade pessoal de um dirigente.

Por esse motivo, o presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta, não anunciou antecipadamente uma posição para o segundo turno. Mesmo tendo sido candidato à Presidência da República, Rui não pode decidir sozinho uma questão que cabe à organização. A resolução será votada na Conferência Nacional.

Uma prática permanente do Partido

A realização de conferências para decidir questões políticas importantes não é uma novidade no PCO. É assim desde a sua fundação, há quase 50 anos. Em 2022, diante do segundo turno entre Lula e Jair Bolsonaro, o Partido reuniu seus militantes e aprovou o apoio à candidatura petista, por considerar que era uma oportunidade de mobilização das massas populares e que a frente ampla ainda não era uma política consolidada.

Nas eleições municipais de 2024, a 37ª Conferência Nacional chegou a uma resolução diferente. Após discutir os resultados do primeiro turno, os delegados aprovaram o voto nulo nas disputas restantes. Na mesma reunião, decidiram preparar a candidatura de Rui Costa Pimenta à Presidência em 2026.

Em fevereiro deste ano, a 38ª Conferência Nacional aprovou por unanimidade a pré-candidatura de Rui, tendo Antônio Carlos Silva como vice, e discutiu a participação do Partido nas eleições gerais.

As diferentes resoluções mostram que a política eleitoral do PCO não é estabelecida por uma fórmula válida para qualquer situação. Cada decisão depende da análise das condições políticas e dos interesses da classe trabalhadora.

A Conferência deste domingo examinará os resultados de uma eleição na qual Lula perdeu milhões de votos em relação a 2022, enquanto a direita bolsonarista ampliou sua votação. Também fará um balanço da campanha realizada pelo PCO, que apresentou candidaturas em todo o País para divulgar seu programa revolucionário e defender a organização independente dos trabalhadores.

A discussão incluirá a situação internacional, particularmente a ofensiva do imperialismo, as guerras em curso e as lutas dos povos oprimidos. Para o PCO, a posição diante das eleições brasileiras deve partir de uma análise da situação política como um todo, e não apenas dos interesses eleitorais imediatos dos candidatos.

A posição oficial do PCO para o segundo turno será definida pelos delegados reunidos em São Paulo, depois da apresentação dos informes políticos, da discussão entre os militantes e da votação da resolução partidária.

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