Eleições 2026

‘O presidente do Brasil chama André Esteves’, diz Rubão na Superlive da COTV

Em intervenção explosiva, apresentador atacou o Judiciário, a Faria Lima e o governo Lula e manifestou solidariedade a Rui Costa Pimenta

Uma das participações mais explosivas da Superlive realizada pela Causa Operária TV neste sábado (3) foi a de Rubão, apresentador do canal Geoforça Brasil. Convidado para integrar um dos grandes blocos da noite, ele entrou na transmissão fazendo uma forte denúncia contra o regime político brasileiro, o Judiciário, a Faria Lima e o governo Lula.

Rubão participou de uma mesa que contou, em diferentes momentos, com Rafael Machado, João Sots, Luan Monteiro, Robinson Farinazo e integrantes do Partido da Causa Operária. Já nos primeiros minutos, deixou evidente que não faria uma intervenção diplomática. Ao ser apresentado, afirmou que participava de atividades relacionadas à situação eleitoral de Anthony Garotinho e imediatamente dirigiu seus ataques ao Judiciário.

O tom subiu rapidamente.

Rubão declarou que estava cansado da situação nacional e da chantagem política que, segundo ele, obrigaria os brasileiros a escolher entre a ingerência externa e os abusos praticados pelas próprias instituições brasileiras.

“Eu cansei. Eu cansei”, resumiu.

Para o apresentador do Geoforça Brasil, utilizar a possibilidade de uma intervenção dos Estados Unidos para fazer com que a população simplesmente aceite os atropelos cometidos no interior do País constitui uma falsa alternativa.

Foi neste ponto que Rubão resumiu sua disposição diante da crise política:

“Se quem vai dar um tiro na minha cabeça é o Trump ou se é o Alexandre de Moraes, para minha família, para o meu filho que vai ficar órfão, não faz a mínima diferença. P****, eu quero lutar contra todo mundo.”

Rubão rejeitou a ideia de que a denúncia do imperialismo norte-americano deva levar automaticamente a um apoio político ao governo Lula ou às instituições que vêm promovendo perseguições políticas no Brasil.

O apresentador afirmou que perdeu qualquer confiança que ainda pudesse ter no PT e atacou o governo. Em sua avaliação, Lula não representa uma alternativa nacionalista à direita e sua política econômica continua subordinada aos interesses do grande capital financeiro.

Foi então que Rubão lançou uma das frases mais marcantes de toda a Superlive.

“O presidente do Brasil chama André Esteves. Não é nem Lula, nem Bolsonaro, nem porra nenhuma. É André Esteves, é a Faria Lima.”

A declaração apareceu em meio a uma crítica à política econômica e às reservas internacionais brasileiras. Rubão atacou a dependência financeira do País em relação ao dólar e afirmou que, por trás da disputa eleitoral entre PT e bolsonarismo, permanece intacto o domínio exercido pelos grandes bancos e pelo mercado financeiro.

A crítica coincide com um dos principais problemas denunciados pelo PCO ao longo da campanha: independentemente das disputas existentes entre os grandes partidos, os bancos seguem ocupando uma posição privilegiada na economia nacional, enquanto a população trabalhadora convive com salários baixos, juros elevados e dificuldades cada vez maiores para sobreviver.

Rubão foi particularmente duro ao falar da Faria Lima. Para ele, a estrutura política brasileira produz uma enorme quantidade de discursos eleitorais enquanto preserva o essencial: a submissão da economia aos interesses financeiros.

Nem o PT escapou.

Ao contrário, uma parcela significativa da intervenção foi dirigida justamente contra a tentativa de apresentar Lula como representante de uma política anti-imperialista. Rubão mencionou a política brasileira em relação à Venezuela, à Rússia, aos BRICS e aos recursos naturais do País para sustentar sua crítica.

Sobre a Venezuela, ele defendeu categoricamente que os assuntos internos do país sejam resolvidos pelos próprios venezuelanos.

“Assuntos da Venezuela, quem resolve internamente é a Venezuela. Acabou.”

Rubão acusou o governo brasileiro de ter contribuído para o isolamento do governo venezuelano e criticou Lula por questionar publicamente resultados eleitorais no país vizinho.

Também foram feitas críticas à política do governo brasileiro diante dos recursos naturais e das relações com os Estados Unidos. Algumas das afirmações de Rubão foram apresentadas de maneira extremamente categórica e sem desenvolvimento documental durante sua participação; na Superlive, apareceram como parte de sua denúncia política contra o governo.

O centro da argumentação, contudo, estava claro: Rubão rejeitava a propaganda segundo a qual votar no PT seria suficiente para impedir o imperialismo de dominar o País.

Para ele, essa política funciona como um mecanismo de chantagem.

A crítica apareceu novamente quando o apresentador comentou o cenário eleitoral. Em sua avaliação, a ameaça representada pela direita é constantemente utilizada para empurrar setores nacionalistas e de esquerda para Lula, independentemente da política seguida pelo próprio governo petista.

Rubão destacou, então, problemas econômicos concretos: os juros elevados, a ausência de investimento produtivo, a influência da Faria Lima e os baixos salários. A revolta manifestada pelo apresentador não era dirigida apenas contra personagens individuais, mas contra a própria situação de atraso do País.

Em um dos momentos mais interessantes de sua participação, Rubão lembrou as dimensões continentais e as enormes potencialidades econômicas do Brasil.

“Só existem três países que se fecham em si: Estados Unidos, China e Brasil”, afirmou, mencionando a combinação entre território, população e tamanho da economia.

Na sequência, questionou:

“Cadê a nossa pujança? Cadê o nosso lugar? Cadê o nosso espaço?”

A revolta contra essa situação levou o apresentador a criticar também figuras da equipe econômica do governo. Rubão contou que teria sido impedido de participar de uma sabatina com Fernando Haddad e afirmou que pretendia questionar duramente o ministro sobre sua política.

Chamou Haddad de “moleque da Faria Lima” e afirmou que o governo age como representante dos grandes interesses financeiros.

Outro ponto importante da participação foi o ataque ao Judiciário.

Rubão havia começado sua intervenção justamente comentando problemas judiciais envolvendo candidaturas no Rio de Janeiro. Depois retomou o tema e criticou a enorme capacidade adquirida pelos tribunais para decidir quem pode ou não participar do processo eleitoral.

Independentemente de sua opinião sobre este ou aquele candidato, argumentou, não seria aceitável que decisões tomadas por magistrados fossem capazes de reorganizar arbitrariamente uma eleição.

A questão aproximou sua fala de um dos temas que marcaram toda a campanha do PCO: a denúncia do poder extraordinário adquirido pelo Judiciário e, particularmente, pelo STF e pelo TSE.

Foi nesse cenário que Rubão mencionou também Rui Costa Pimenta.

O apresentador contou ter se encontrado recentemente com o candidato presidencial do PCO e afirmou que lhe ofereceu solidariedade diante da operação da Polícia Federal que atingiu sua residência durante a campanha.

“Eu tive com o Rui Costa Pimenta outro dia, ofereci minha solidariedade a ele”, declarou.

A operação da Polícia Federal ocorreu durante a campanha presidencial e incluiu uma busca na residência de Rui e a retenção de seu passaporte. Para Rubão, episódios desse tipo mostram o absurdo de exigir que alguém atacado pelo próprio aparato estatal simplesmente feche os olhos para o que está acontecendo em nome da defesa abstrata das instituições.

A intervenção foi tão carregada que, quando terminou a primeira grande fala de Rubão, o apresentador da Superlive respondeu: “compartilho da sua raiva toda”.

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