Debate na UnB

Gaiola das loucas identitárias ataca novamente; desta vez, em Brasília

Candidato do PCO foi interrompido por vaias, xingamentos e gritos depois de rejeitar cotas específicas e defender livre ingresso na universidade

Uma pergunta sobre cotas para transexuais transformou parte do debate entre candidatos ao Governo do Distrito Federal realizado na Universidade de Brasília (UnB) em uma sucessão de vaias, xingamentos e palavras de ordem contra Expedito Mendonça, candidato do Partido da Causa Operária (PCO).

O encontro ocorreu na quarta-feira (30), no campus Darcy Ribeiro, e foi organizado pelo Diretório Central dos Estudantes da UnB (DCE), pelo Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) e pela Associação dos Docentes da UnB (ADUnB). Participaram Expedito Mendonça, do PCO; Leandro Grass, do PT; Professor Robson, do PSTU; Professora Samara Mineiro, da Unidade Popular (UP); Paula Belmonte, do PSDB; e Elisson Ferreira Freire, do Agir.

A confusão começou durante uma pergunta sorteada do público dirigida diretamente a Expedito. O candidato foi questionado sobre como justificava representar o PCO dentro da UnB diante das críticas feitas pelo Partido às cotas específicas para transexuais e se concordava com essa posição.

Quando começou a explicar a posição do Partido, veio a primeira interrupção.

“Ah, vai tomar no c*!”, gritou uma pessoa da plateia.

Expedito continuou falando. Disse que o PCO defende os direitos demoráticos dos trnasexuais, mas que o Partido não considera necessária a criação de uma cota universitária específica para esse grupo.

A resposta mal conseguia prosseguir sem ser cortada.

“Transfóbico!”, passaram a gritar vozes da plateia.

O candidato tentou desenvolver seu argumento enquanto o mesmo grito era repetido. Sem se abalar, Expedito continuou explicando a política revolucionária para a educação:

“Defendemos o fim do vestibular e o livre ingresso nas universidades! Acabar com o funil do vestibular e garantir livre ingresso na universidade a todos os segmentos!”

O livre ingresso é uma posição defendida publicamente pelo PCO há anos. Em material publicado pelo próprio Diário Causa Operária, o Partido apresenta sua política para o ensino superior como a eliminação do vestibular e a abertura das universidades a todos que desejem estudar. Rui Costa Pimenta também reafirmou recentemente essa posição ao discutir especificamente as cotas trans.

Foi justamente quando Expedito tentava explicar essa diferença política que começou um coro:

“As cotas trans vão existir! A UnB vai ser toda travesti!”

A frase foi repetida diversas vezes, seguida de novos gritos de “PCO transfóbico”.

Expedito não estava propondo retirar transexuais da universidade. Sua posição declarada era que o acesso deveria ser aberto a todos, sem vestibular, e que não deveria existir uma reserva adicional específica baseada nesse critério. Concordar ou discordar dessa política deveria ser precisamente a matéria da discussão.

Em vez disso, durante vários trechos da resposta, parte da plateia tentou impedir que a posição fosse sequer desenvolvida.

O episódio ganha ainda outra dimensão porque Expedito chegou ao debate depois de denunciar obstáculos à participação eleitoral do PCO no Distrito Federal. Dias antes, ele havia denunciado a exclusão de outro debate eleitoral, promovido pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF).

Na UnB, desta vez, Expedito estava na mesa. A tentativa de restringir sua participação ocorreu de outra forma: não pela ausência de convite, mas pelo tumulto justamente quando apresentou uma posição que contrariava parte dos presentes.

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