Tiago Nilo, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) a vice-governador do Rio Grande do Sul na chapa encabeçada por Cesar Pontes, apresentou as propostas do Partido durante entrevista ao Diário de Santa Maria. Nilo tratou da dívida pública, das privatizações, da saúde e da educação e encerrou a participação defendendo uma maior intervenção dos trabalhadores na vida política. A candidatura de Nilo a vice-governador consta da chapa apresentada pelo PCO no estado. Partido da Causa Operária
Questionado sobre a proposta do PCO para a dívida do Rio Grande do Sul com a União, o candidato explicou que o Partido não propõe simplesmente uma renegociação do débito estadual. A posição apresentada por Nilo é mais ampla: interromper o pagamento da dívida pública e utilizar os recursos para atender às necessidades da população. Segundo ele, os trabalhadores gaúchos, assim como os trabalhadores de todo o País, sustentam um sistema no qual enormes quantidades de dinheiro são transferidas aos credores enquanto faltam recursos para os serviços públicos. Texto colado
Nilo afirmou que a própria dívida precisa ser questionada, em vez de se discutir apenas de que maneira pagá-la. Na avaliação apresentada pelo candidato, o pagamento sucessivo de juros faz com que uma dívida já quitada continue servindo como mecanismo para retirar recursos do Estado. “Nós estamos pagando, ou melhor, o povo do Rio Grande do Sul, como o povo brasileiro, está sustentando o rentismo. […] Nós não temos obrigação de pagar uma dívida que não existe. Ninguém paga uma dívida que não existe”, declarou. Segundo ele, o dinheiro economizado permitiria ampliar os investimentos públicos e financiar a recuperação econômica do estado. Texto colado
Ao tratar das estatizações, o candidato atacou a contradição entre a defesa do chamado Estado mínimo e a dependência que os grandes capitalistas têm dos recursos públicos. Nilo lembrou a crise financeira internacional de 2008, quando governos utilizaram grandes somas para impedir a quebra de instituições privadas, e afirmou que o Estado frequentemente aparece para socorrer grandes empresas, embora os trabalhadores encontrem dificuldades para obter recursos destinados a suas necessidades. Para o candidato, a questão decisiva não é simplesmente a presença do Estado na economia, mas quais interesses recebem os recursos controlados por ele. Texto colado
O candidato também relacionou a discussão ao agronegócio gaúcho. Segundo Nilo, embora o setor tenha uma produção de grande escala, isso não significa uma distribuição correspondente da riqueza ou uma geração igualmente grande de empregos. Sua defesa das estatizações parte da ideia de que os recursos produzidos pelos trabalhadores devem permanecer sob controle público, em vez de serem transferidos para grandes empresas privadas.
“No caso da estatização, você reforça que o dinheiro, especialmente o dinheiro produzido pelo trabalhador gaúcho, fique no estado e não vá para fora”, afirmou. Nilo citou a Petrobrás e antigas empresas públicas gaúchas para sustentar que a privatização transfere para grupos particulares o controle sobre atividades fundamentais. Segundo ele, quando empresas responsáveis por serviços essenciais são entregues a grupos distantes do Rio Grande do Sul, a própria população perde capacidade de interferir sobre serviços dos quais depende diariamente. Texto colado
A saúde foi tratada a partir da mesma questão. Perguntado sobre como reduzir as filas para consultas, exames e operações sem entregar o atendimento a estruturas privadas, Nilo afirmou que o dinheiro necessário existe, mas é dirigido para outros setores. O candidato vinculou novamente a falta de investimentos ao pagamento da dívida e defendeu que esses recursos sejam destinados à ampliação da estrutura pública de atendimento.
“Em vez de pagar uma dívida que já foi paga, isso deveria ser revertido em benefício da população trabalhadora, no nosso caso, da população trabalhadora do Rio Grande do Sul. […] O objetivo final do setor privado não é a vida humana e a saúde, é o lucro. Isso não é do interesse da população em geral, que precisa desse atendimento”, afirmou Nilo. A proposta exposta pelo candidato é a de um sistema capaz de atender a todos, sem fazer da capacidade de pagamento de cada pessoa a condição para conseguir tratamento médico. Texto colado
O entrevistador levou então a discussão para Santa Maria, lembrando o peso da cidade na educação e na saúde, particularmente pela presença da Universidade Federal de Santa Maria e de hospitais que atendem a região. Nilo afirmou que os problemas encontrados na cidade fazem parte de uma situação que atinge todo o estado: a falta de investimento contínuo na estrutura pública.
Para o candidato, Santa Maria possui uma tradição importante no ensino universitário, mas sofre com a mesma política que reduz recursos para educação e saúde em outras regiões. Nilo disse que não se trata de uma proposta particular de sua candidatura, mas do programa defendido nacionalmente pelo PCO. Segundo ele, sempre que se afirma que o Estado não dispõe de recursos para abrir leitos, melhorar hospitais ou investir nas universidades, é preciso perguntar para onde o dinheiro arrecadado está sendo direcionado. Sua resposta voltou ao rentismo e à dívida pública. Texto colado
A educação ocupou outra parte extensa da entrevista. Nilo criticou a falta de investimentos e também uma concepção que reduz o ensino à formação técnica. Para o candidato, a escola e a universidade devem proporcionar o acesso ao conhecimento acumulado pela humanidade, à história do País e à história regional, além de oferecer condições para que os estudantes desenvolvam uma compreensão crítica da sociedade.
Nilo defendeu ainda uma administração mais diretamente controlada por quem participa da educação. Em sua exposição, professores, estudantes, funcionários, pais e a comunidade escolar não devem aparecer apenas como usuários de decisões tomadas de cima para baixo. O candidato defendeu um sistema público de qualidade, sem a separação entre uma educação de melhor nível para quem pode pagar e outra destinada à maioria da população. A administração democrática, explicou, deveria incluir diretamente professores, funcionários e estudantes. Texto colado
Nos minutos finais, Nilo saiu dos problemas administrativos do Rio Grande do Sul para tratar das condições políticas da eleição. O candidato criticou o pouco espaço concedido ao PCO no rádio e na televisão e afirmou que as restrições impostas aos pequenos partidos diminuíram as possibilidades de apresentação de seus programas à população. O PCO tem denunciado durante a campanha o reduzido espaço eleitoral e decisões da Justiça Eleitoral contra candidaturas do Partido. Causa Operária
Nilo encerrou a entrevista afirmando que a proposta do PCO é romper a separação entre uma minoria que participa permanentemente da política e uma maioria que aparece apenas como espectadora. Para ele, os trabalhadores precisam participar diretamente da vida política, pois nenhum candidato, governante ou suposto salvador poderá substituir sua própria organização.
“O que o PCO propõe, acima de tudo, é terminar essa divisão entre aqueles que fazem política e aqueles que veem política, aqueles que são ativos na política e aqueles que são passivos. E o PCO chama a população trabalhadora para participar da vida política, para tomar a ação, porque ninguém vai fazer isso por ela. Não há, digamos, um salvador da nação. Quem vai salvar o estado? Quem vai salvar o País? É a população trabalhadora. Então nós chamamos vocês a participar, a se engajar politicamente e, especialmente, a conhecer o PCO e as nossas propostas”, declarou.





