O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo de Minas Gerais, Henrique Áreas, participou de entrevista ao MG1, da TV Globo, como parte da série realizada pelo telejornal com os concorrentes ao governo estadual. Áreas falou sobre sua relação com Minas Gerais, explicou por que o PCO apresenta um programa nacional nas eleições estaduais e defendeu a suspensão do pagamento da dívida mineira.
Logo na primeira pergunta, o candidato foi indagado sobre sua relação com o estado. Esta é a quarta vez que Áreas disputa uma eleição, depois de três candidaturas em São Paulo. Ele explicou que, apesar de morar em Minas há menos tempo, sua atividade política no estado começou há mais de dez anos, período em que passou a atuar como um dos responsáveis pelo PCO em Minas Gerais.
“Em primeiro lugar, o PCO tem um programa único para o País todo, um programa, inclusive, que a gente apresenta para todos os locais. Mas, no que diz respeito a Minas, eu já trabalho em Minas Gerais como responsável do PCO há muitos anos, há mais de dez anos. Então, trabalho aqui e moro aqui há menos tempo, mas estou bem sintonizado com os problemas gerais e específicos do estado. Por isso nós optamos também por lançar a candidatura aqui.”
A existência de um programa nacional do Partido foi objeto da pergunta seguinte. A entrevistadora observou que os candidatos do PCO aos governos estaduais apresentaram à Justiça Eleitoral programas semelhantes e que algumas das propostas dependem também de medidas tomadas em âmbito federal.
Áreas afirmou que essa escolha corresponde ao próprio objetivo da participação eleitoral do PCO. Segundo ele, o Partido utiliza as eleições para apresentar aos trabalhadores um programa político nacional, que não se limita à administração de determinado estado.
“Nós apresentamos um programa em geral. É importante dizer isso pelo seguinte: o PCO participa das eleições para divulgar um programa político para os trabalhadores. Por isso nós entendemos que, em primeiro lugar, é necessário que a população em geral, não só de Minas Gerais, mas do País todo, tenha conhecimento desse programa, que é um programa socialista, um programa revolucionário. Então, em primeiro lugar é isso. Nós procuramos dar publicidade a esse programa que, para a gente, é o programa que de fato chama o povo a se mobilizar e que de fato pode mudar a vida da população.”
A dívida pública de Minas Gerais ocupou a parte final da entrevista. Áreas já havia defendido que uma das primeiras medidas de um eventual governo do PCO seria suspender seu pagamento e destinar os recursos às necessidades sociais da população.
O MG1 questionou o candidato sobre as consequências jurídicas e financeiras dessa medida. A pergunta mencionou possíveis problemas com repasses, manutenção dos serviços públicos e capacidade do estado de obter crédito.
Áreas respondeu que a proposta não poderia ser executada simplesmente por uma decisão administrativa do governador. Para ele, a suspensão do pagamento colocaria o governo em confronto com os interesses econômicos beneficiados pela dívida e precisaria ser sustentada pela mobilização popular.
“Essa proposta do não pagamento da dívida, obviamente, tem que vir atrelada a chamar o povo a se manifestar. Numa canetada, um governo, só por si só, não vai conseguir realmente resolver esse problema. Por isso que o PCO acredita que, com a mobilização popular, nós podemos resolver esse tipo de problema. Porque, obviamente, você entraria em choque com outros interesses. São os interesses, por exemplo, dos especuladores e banqueiros que ganham muito dinheiro com a dívida, que vai aumentando cada vez mais com os juros. Então, chamar o povo a se mobilizar mesmo para resolver esse problema.”
Para o candidato, portanto, a dívida mineira não deve ser tratada apenas como uma questão administrativa entre o governo estadual e seus credores. Áreas afirmou que banqueiros e especuladores são beneficiados pelos juros e têm interesse na continuidade dos pagamentos.
Essa posição também explica a insistência do PCO em apresentar um programa nacional. Áreas não apresentou a suspensão da dívida como uma medida isolada de gestão estadual, mas como parte de um programa político que depende da organização e da mobilização dos trabalhadores para ser colocado em prática.
Com o tempo reduzido destinado à entrevista (uma forma de beneficiar os candidatos da Globo), Áreas concentrou suas respostas nesses três pontos: sua atuação política em Minas Gerais, o caráter nacional do programa apresentado pelo PCO e a proposta de suspender o pagamento da dívida estadual para destinar recursos às necessidades da população.




