O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo de Goiás, Danilo da Silva, apresentou em entrevista ao jornal O Popular as principais propostas de sua candidatura para as eleições de 2026. Estreante em disputas eleitorais, o trabalhador de 43 anos defendeu um programa baseado em três pontos — salário, trabalho e terra (o programa nacional do PCO) — e apontou como principal medida para o estado a suspensão do pagamento da dívida com os bancos.
Nascido em São Luís, no Maranhão, Danilo milita há cinco anos no PCO. Ao explicar o que o levou a disputar o governo goiano, afirmou que sua candidatura surgiu da necessidade de apresentar uma alternativa política diante da situação enfrentada pela população.
“Nunca exercemos atividade política eleitoral. É a primeira vez que lançamos o nosso nome à disposição da sociedade goiana. O que motivou essa candidatura foi a revolta popular, com toda essa balbúrdia política em que a gente se encontra, e foi isso que nos levou a colocar o nosso nome à disposição da sociedade goiana.”
Uma parte importante da entrevista foi dedicada às condições da campanha eleitoral. Danilo criticou a diferença de recursos entre os partidos e também a exclusão das legendas menores de debates promovidos pela imprensa.
Para ele, a desigualdade começa na própria distribuição do dinheiro destinado às campanhas. As organizações que já possuem grandes bancadas recebem centenas de milhões de reais, enquanto partidos menores ficam com uma parcela reduzida dos recursos.
“É até um motivo de denúncia da nossa parte, a disparidade que se dá ao longo das campanhas. Um partido como o PL, por exemplo, recebe 1 bilhão de reais para realizar sua campanha. O PT, o segundo maior, recebe, salvo engano, 600 milhões. E os demais partidos, ditos menores, ficam com uma fatia ínfima do dinheiro público. A campanha já começa desigual a partir da repartição do dinheiro, e isso se agrava até na cobertura da imprensa: nos debates, eu e a candidata da UP não somos convidados, somos excluídos. Não basta eles terem 50 milhões de vezes mais dinheiro do que a gente, ainda têm que nos excluir dos debates.”
Diante da observação de que a divisão dos recursos depende da representação parlamentar de cada legenda, Danilo respondeu que esse mecanismo é justamente parte do problema. Segundo ele, uma vez registrada a candidatura, todos os concorrentes deveriam ter oportunidade de apresentar suas propostas.
O candidato também falou sobre sua trajetória profissional. Chegou a cursar dois semestres de Direito em Taguatinga, no Distrito Federal, mas abandonou os estudos por causa do trabalho. Morador da região de Valparaíso de Goiás, passou por diversas profissões antes de se dedicar à atividade política.
“Minha formação é como a da maioria dos cidadãos goianos: me dediquei a vida toda a trabalhar. Não terminei o curso por conta do trabalho — já fui porteiro, segurança, técnico em imobilizações ortopédicas, gesseiro e técnico em instalações eletrônicas e câmeras de segurança. Milito no PCO há cinco anos, onde obtive vários cursos de formação política, principalmente marxista.”
Danilo afirmou estar licenciado durante a campanha e disse trabalhar no Sindicato dos Bancários do Distrito Federal.
Ao apresentar o eixo de sua candidatura, resumiu o programa do PCO em salário, trabalho e terra. Explicou também que o Partido não considera as eleições o principal instrumento para solucionar os problemas da população e atribui essa tarefa à organização dos trabalhadores.
“O mote principal, não só da minha candidatura aqui em Goiás como de toda candidatura do PCO em nível nacional, é formado em três pilares: salário, trabalho e terra. Além disso, quero deixar claro que o PCO não acredita nas eleições como algo prioritário para resolver as necessidades da população. A gente acredita na organização das camadas populares, através de sindicatos e movimentos de bairro. A única mudança concreta que pode acontecer é com a organização da classe trabalhadora, não pelas eleições.”
Perguntado por que, diante dessa avaliação, o Partido participa do processo eleitoral, Danilo afirmou que a campanha é utilizada para apresentar suas posições e denunciar aquilo que considera as limitações das próprias eleições.
“A gente só participa das eleições para denunciar o processo. Não temos ilusão nenhuma com relação às eleições, mas é mais um dos espaços que utilizamos para denunciar a forma leviana como tratam a população, como meros objetos de voto, que só são procurados de quatro em quatro anos.”
A proposta econômica que recebeu maior destaque foi a interrupção do pagamento da dívida de Goiás com os bancos. Danilo empregou deliberadamente a palavra “calote” e declarou que pretende utilizar os recursos economizados para financiar educação, saúde, saneamento e outras necessidades da população.
“A nossa principal proposta é gerir os recursos públicos de forma honesta. A gente não vai pagar a dívida, os juros da dívida do Estado com os bancos. Vamos dar um calote, essa é a palavra, nos bancos. Todos os recursos pagos pela população vão ser revertidos para ela, através de escolas, saúde e todas as suas necessidades, com o dinheiro que hoje vai para os juros da dívida. Não vamos pagar os bancos.”
O entrevistador perguntou se uma medida dessa dimensão não provocaria dificuldades para o estado. Danilo respondeu que o principal prejudicado seria o sistema bancário e afirmou que convocaria a população para sustentar politicamente a decisão.
“Seria um problema para os bancos, que vão deixar de levar metade do orçamento público. Um assalto à população, sem usar nenhuma arma. Esse seria o problema. Eu convocaria a população a ir às ruas para expor a questão: dar metade do orçamento público para uma única família, um único banqueiro, enquanto a sociedade padece de serviços essenciais, como saneamento básico, ao qual a população não tem direito.”
O não pagamento da dívida também apareceu quando Danilo foi questionado sobre o teto de gastos e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Para o candidato, um eventual governo do PCO deveria romper com limitações que impedissem a utilização do orçamento nas necessidades sociais.
“Na minha gestão não haveria teto de gasto, e sim ruptura do pagamento da dívida aos banqueiros. Todo o orçamento arrecadado seria revertido de volta para a população. Não haveria teto de gasto, não haveria lei nenhuma que me impedisse de fazer isso, e eu contaria apenas com o apoio popular. Chamaria a população às ruas.”
Na educação, o representante do PCO defendeu o livre acesso às universidades. Perguntado sobre a origem dos recursos para sustentar a expansão do ensino superior, da saúde e dos demais serviços públicos, voltou a apontar para o dinheiro atualmente utilizado no pagamento dos juros.
“Hoje falta dinheiro porque é preciso pagar juros aos banqueiros; ao dar o calote, o dinheiro iria jorrar na minha gestão. Todos os recursos seriam revertidos de volta para a população — não haveria mais metade do orçamento para os banqueiros. Vai faltar para os bancos, obviamente, mas para a população vai jorrar. É com esse dinheiro que pretendo custear todas as faculdades. Educação e saúde são necessidades básicas.”
Danilo apresentou ainda a reivindicação de um salário mínimo de R$ 7.500 e disse que um eventual governo recorreria a plebiscitos e referendos para decidir questões importantes.
“É o nosso mote principal: salário — defendemos um salário mínimo de R$ 7.500 —, trabalho e terra. Todo o aporte financeiro para o nosso plano de governo viria do calote na dívida com os bancos. Depois ajustaríamos de acordo com as necessidades da população. Pretendemos governar com muito plebiscito, muito referendo, sempre consultando a população — se a gente errar, e vamos errar, vai ser com o aval dela, não sem ser consultada.”
A polarização entre direita e esquerda também foi abordada. Danilo definiu a situação como “o retrato fiel da falência política brasileira, um sistema carcomido”.
Ao ser perguntado sobre a defesa do socialismo pelo PCO, relacionou a proposta à concentração da riqueza e do poder econômico no País.
“Ela não só se encaixa, como se faz necessária. É inadmissível que um país há 500 anos seja governado por meia dúzia de famílias, tanto no sistema bancário quanto no de comunicação — uma meia dúzia de famílias que há centenas de anos domina o País e leva uma vida de rei, quando ao redor há favela. O que a gente defende é que a população tenha o mínimo de dignidade, direitos básicos respeitados: alimentação, escola, educação.”



