O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Paraná, Adriano Teixeira, participou de uma sabatina promovida pelo Bem Paraná, na qual apresentou as principais propostas do Partido para as eleições de 2026. Conhecido também como Adriano Funileiro, ele falou sobre o indeferimento das candidaturas do PCO, privatizações, jornada de trabalho, educação, desenvolvimento tecnológico e sua trajetória como trabalhador e militante político.
Logo no início, Teixeira tratou da situação jurídica das candidaturas do Partido. O PCO enfrenta no Paraná um processo relacionado ao registro eleitoral e decidiu recorrer. Para o candidato, o caso não pode ser separado dos problemas enfrentados pela organização em outros estados nem da ofensiva política desencadeada contra o Partido em meio à campanha presidencial.
“Nós tivemos esse problema e consideramos isso uma perseguição política que está acontecendo contra o nosso Partido. Tivemos candidatura rejeitada em São Paulo, tivemos problema em Minas Gerais, na Bahia, e depois esse processo veio também no Paraná. Isso tem repercussão na candidatura, porque a população vê que o PCO foi indeferido e pensa: ‘por que eu vou votar lá? Vou perder meu voto’. E nós acabamos perdendo com isso, porque nosso objetivo também é mostrar o quanto o Partido é conhecido e apoiado nas eleições.”
Teixeira destacou que a participação eleitoral do PCO serve também para apresentar seu programa político aos trabalhadores. Segundo ele, a enorme diferença de recursos entre os partidos, somada ao pouco espaço oferecido ao PCO pelo monopólio da imprensa capitalista obriga a legenda a se apoiar principalmente no trabalho militante, nas atividades de rua e nas redes sociais.
Ele relatou que, durante a distribuição de material eleitoral, militantes passaram a encontrar pessoas que já conheciam o Partido por sua atividade na Internet e procuravam espontaneamente informações e panfletos do PCO.
“O objetivo dessas candidaturas é apresentar nosso programa, mostrar o programa do Partido e denunciar a situação que está aí. Os candidatos maiores têm muito tempo de televisão, têm muito dinheiro. O nosso Partido tem muito pouco para dividir entre todos os candidatos. Grande parte do nosso trabalho é feita pelos militantes. O objetivo é utilizar esse espaço para apresentar uma posição política clara.”
Ao tratar das propostas para o Paraná, Adriano explicou que o PCO apresenta um programa nacional. Para ele, questões como baixos salários, privatizações, deficiência dos serviços públicos e condições de trabalho possuem essencialmente as mesmas causas em todo o País.
Foi nesse ponto que apareceu a situação da Copel. O candidato defendeu a reestatização da empresa e se declarou contrário à entrega de serviços essenciais ao capital privado. Segundo Teixeira, setores como eletricidade e abastecimento de água foram erguidos ao longo de décadas pelo trabalho da população e não deveriam ficar subordinados aos interesses de grupos empresariais.
“É uma coisa muito séria colocar o setor de energia do País nas mãos do setor privado, nas mãos de um grupo de pessoas. Estamos falando de uma coisa gigantesca, construída por milhares e milhares de trabalhadores durante décadas. Quando esses grupos compram um setor como esse, a preocupação é o lucro. Nós somos totalmente contra a privatização desse tipo de serviço. Imagine o setor da eletricidade, o setor da água. Também somos a favor de estatizar o sistema financeiro.”
A questão trabalhista ocupou uma parte importante da conversa. Sobre a escala 6×1, Teixeira lembrou que o programa do PCO defende uma redução mais ampla da jornada: 35 horas semanais, distribuídas em cinco dias.
Ele advertiu, porém, que acabar apenas com uma determinada escala, sem elevar os salários, pode não representar redução efetiva do tempo de trabalho. Um trabalhador mal remunerado poderia ser obrigado a procurar um segundo ou terceiro emprego para conseguir sustentar a família.
“Como candidato de um partido de trabalhadores, nós defendemos a redução da semana de trabalho. Nosso programa é de 35 horas por semana, cinco dias por semana, para que o trabalhador possa ter contato com a família, ter lazer e tempo para outras coisas. Somos totalmente contra o 6×1. Mas é preciso tomar cuidado para que a pessoa não deixe de trabalhar 6×1 e passe a precisar de dois ou três empregos. Temos que aumentar o salário e diminuir as horas de trabalho.”
Por isso, Adriano vinculou diretamente a redução da jornada ao aumento dos salários. O programa apresentado por ele defende um salário mínimo de aproximadamente R$7.500, combinado com a jornada de 35 horas. A intenção, segundo explicou, é garantir que o avanço na redução do tempo de trabalho não seja anulado pela necessidade de acumular empregos.
Na educação, o representante do PCO defendeu o fim do vestibular e a ampliação das universidades públicas. A pergunta sobre como financiar esse programa levou a outro ponto defendido pelo Partido: a suspensão do pagamento da dívida pública.
Teixeira afirmou que o problema não é simplesmente falta de recursos, mas a maneira como o dinheiro público é distribuído. Em sua avaliação, uma parcela enorme dos recursos nacionais é transferida ao sistema financeiro enquanto faltam professores, vagas universitárias, moradia estudantil, transporte e hospitais.
“Quando falamos no fim do vestibular, na ampliação da saúde pública, sempre vem a pergunta: onde vai conseguir dinheiro para isso? O problema não é que não exista dinheiro. Defendemos que não se pague essa dívida pública e que esse dinheiro seja utilizado para a população. A partir daí, poderíamos ter muito mais universidades, muito mais hospitais, mais professores, moradia estudantil e transporte. O dinheiro arrecadado da população tem que voltar para a classe trabalhadora.”
A discussão sobre novas tecnologias levou Adriano a rejeitar a ideia de que a mecanização represente necessariamente uma ameaça aos trabalhadores. Em vez de servir para eliminar postos de trabalho e aumentar a exploração, afirmou, o desenvolvimento técnico deveria permitir a diminuição da jornada e proporcionar mais tempo livre à população.
“Para nós, isso não é um problema. Pode ser uma solução, porque a tecnologia pode melhorar muito a vida da população e diminuir as horas de trabalho. A classe trabalhadora não pode viver como escrava do trabalho; precisa ter mais tempo para a família, para o corpo, para a saúde e para outros aspectos da vida. Ao mesmo tempo, precisamos de uma expansão muito maior da formação profissional e técnica.”
Teixeira defendeu ainda uma expansão do ensino profissionalizante, citando a necessidade de ampliar a formação oferecida por instituições como Senai e Senac. Ele relacionou a proposta à própria experiência como trabalhador da área de funilaria e mecânica.
A trajetória pessoal do candidato também entrou na sabatina. Adriano contou que começou a se aproximar da política quando cursava História. Ingressou na universidade aos 25 anos e relatou que teve dificuldades para acompanhar inicialmente a carga de leitura, por não possuir a mesma formação escolar de colegas mais jovens.
Foi nesse período que passou a estudar política de maneira mais sistemática e conheceu as posições apresentadas pelo presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta.
“Eu comecei a me envolver e a enxergar a política através da universidade. Era uma pessoa que não entendia muito de política. Na História, comecei a ler muito. Eu tinha bastante dificuldade, porque não vinha daquela formação e entrei na universidade com 25 anos. Depois comecei a acompanhar os partidos e a ouvir o Rui Costa Pimenta. Eu pensava: ‘esse cara está falando a verdade’. Foi assim que me aproximei. Meu estudo político concreto aconteceu dentro do PCO; nunca fui filiado a outro partido.”
Apesar da formação em História, Adriano trabalha como funileiro. Ele apresentou sua própria candidatura como exemplo da política do PCO de lançar trabalhadores para os cargos eletivos. Seu candidato a vice, José Carlos Telles, também foi citado como um trabalhador rural com longa atividade política.
Segundo Teixeira, esse perfil distingue as candidaturas do PCO das campanhas organizadas em torno de grandes estruturas financeiras, assessorias profissionais de propaganda e candidatos provenientes dos setores tradicionais da política.
A esquerda identitária também apareceu na entrevista. Questionado pelos entrevistadores, Adriano afirmou que a Unidade Popular (UP) dedica um peso excessivo às questões identitárias e deixa em segundo plano reivindicações econômicas dos trabalhadores. Segundo ele, a defesa dos direitos das minorias é necessária, mas a esquerda precisa colocar no centro de sua atividade questões como salário, jornada de trabalho e privatizações.
No encerramento, Teixeira voltou à ideia que atravessou a entrevista: sua candidatura não é um projeto pessoal, mas um instrumento para apresentar o programa do PCO. Citou ainda a defesa do fim da Polícia Militar e da organização da segurança pela própria população.
“Não sou eu sozinho que vou fazer a diferença. Sou uma pessoa que está aqui para apresentar nosso programa, mostrar uma candidatura diferente, com propostas diferentes. Nós acreditamos que uma mudança só pode acontecer com a população organizada. Quem quiser conhecer o PCO, conhecer nossas propostas, venha conhecer o Partido e lutar conosco.”




