A exclusão de Bruno Pedreiro do PCO de um debate organizado pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina expôs novamente uma combinação peculiar na política da Unidade Popular. A organização se apresenta como “marxista-leninista”, é dirigida pelo Partido Comunista Revolucionário (PCR) e idolatra o coveiro de revoluções José Stálin. Ao mesmo tempo, fez das cotas trans o centro de sua atuação nas universidades.
Bruno Pedreiro, candidato do PCO ao governo de Santa Catarina, denunciou que não recebeu convite para o debate marcado pelo DCE da UFSC. Segundo seu relato, soube da atividade por um estudante, que lhe enviou a publicação e perguntou se ele havia recusado participar. Depois que apoiadores do candidato começaram a cobrar sua inclusão, os comentários da publicação foram fechados e o anúncio acabou apagado. O motivo? O PCO não apoia a política demagoga, segregacionista e autoritária das cotas trans.
O Correnteza, movimento ligado à Unidade Popular e atuante no movimento estudantil, é defensor aberto dessa política. Em tese apresentada ao 60º Congresso da UNE, o grupo afirmou que é dever do movimento estudantil lutar pela implantação dessas cotas nas universidades e por programas específicos de permanência para estudantes LGBTIA+.
Em agosto de 2025, a própria UP aprovou, em seu primeiro Encontro Nacional LGBTI+, uma resolução defendendo cotas para pessoas trans e travestis em universidades e concursos públicos. O documento também pede ampliação de tratamentos hormonais gratuitos, aumento das vagas para cirurgias de transgenitalização, políticas específicas nas escolas e outras medidas dirigidas à população LGBTI+.
Enquanto isso, os dirigentes da UP também exaltam Stálin. A combinação é politicamente reveladora. A tradição stalinista ficou historicamente marcada por uma enorme repressão política, inclusive contra outras correntes do movimento operário. O trotskismo, ao contrário, desenvolveu uma tradição de defesa dos direitos democráticos inclusive dos adversários políticos da classe operária.
A UP, porém, conseguiu combinar referências a essa tradição autoritária com a adoção de uma política que hoje floresce principalmente nas universidades, nas organizações não governamentais, nas grandes empresas e nas campanhas institucionais em torno da identidade.
A transformação não ocorreu sem atritos. Em 2023, uma publicação da própria UP sobre transsexuais desencadeou uma campanha de acusações de “transfobia” promovida por setores da esquerda. A Unidade Popular apagou a postagem e publicou um pedido de desculpas, revelando a capitulação de seus dirigentes à pressão identitária.
Dois anos depois, a posição da organização já estava institucionalizada numa resolução nacional. A defesa de cotas trans passou para os documentos oficiais, para as teses estudantis e para a propaganda do partido.
O identitarismo é uma política impulsionada pelo imperialismo e difundida por fundações, universidades, grandes empresas e organizações financiadas pelo grande capital. Ou seja, é a política da CIA.




