Zohran Mamdani, apresentado pelo PSOL e por toda a esquerda pequeno-burguesa como a grande novidade da política mundial, recebeu Donald Trump na residência oficial do prefeito de Nova Iorque na segunda-feira (21). O encontro na Gracie Mansion durou cerca de uma hora, ocorreu a portas fechadas e terminou com os dois diante das câmeras, trocando gentilezas como velhos aliados.
Trump foi o primeiro presidente norte-americano em 45 anos a visitar o casarão. Elogiou o anfitrião, disse torcer por seu sucesso e assegurou que o chamado “socialista democrático” possui um “grande potencial”. Mamdani agradeceu e repetiu que trabalhará com qualquer pessoa capaz de ajudá-lo a governar Nova Iorque.
O prefeito havia sido vendido como o homem que enfrentaria Trump. Durante a campanha de 2025, apresentou-se como seu adversário, chamou-o de fascista e recebeu ameaças de cortes de verbas federais. Bastaram a vitória eleitoral e a entrada na prefeitura para o leão das redes sociais chegar à Gracie Mansion balançando o rabo para o chefe do governo norte-americano.
Era a terceira reunião presencial entre ambos em menos de um ano. Na primeira aparição conjunta, realizada na Casa Branca em novembro de 2025, Trump apertou várias vezes a mão de Mamdani, tocou-lhe o braço e o tratou quase como um protegido. Agora, foi à casa do novo amigo e renovou os afagos.
“Quero o que é bom para Nova Iorque e para o país. Quero que ele seja um grande prefeito, e ele certamente tem potencial, um grande potencial”, declarou Trump ao lado de Mamdani. O prefeito ouviu sem qualquer constrangimento a aprovação pública do homem responsável pela guerra contra o Irã, pelo cerco a Cuba, pelo sequestro de Nicolás Maduro e pelo apoio militar e político ao genocídio palestino.
O silêncio diante da guerra
Durante as perguntas dos repórteres, uma jornalista perguntou a Mamdani se ele havia confrontado Trump pela proibição imposta a veículos de imprensa na Casa Branca. Em seguida, perguntou ao presidente se a medida pretendia desviar a atenção da guerra contra o Irã e da alta dos combustíveis.
Mamdani respondeu apenas que permitiria a presença de todos os jornalistas no gramado da residência. Depois, voltou-se para o convidado e entregou-lhe a palavra: “Não sei, senhor presidente.” Nada disse sobre os bombardeios, o bloqueio naval e as sanções impostas ao povo iraniano.
Trump também fugiu da pergunta. Vangloriou-se de sua eleição, criticou a imprensa e alegou ter encerrado guerras. O novo astro da esquerda norte-americana permaneceu ao lado dele sem denunciar a agressão ao Irã. Em sua própria residência, Mamdani agiu como anfitrião obediente, não como o adversário de Trump anunciado durante a campanha.
A valentia reapareceu depois que Trump deixou o local. Em entrevista à CNN, Mamdani chamou Benjamin Netaniahu de criminoso de guerra e responsável pelo genocídio do povo palestino. Disse ainda que o mandado do Tribunal Penal Internacional deveria ser cumprido. Mas já admitiu não possuir autoridade para prender o primeiro-ministro de “Israel” e anunciou que não participará dos protestos contra sua presença em Nova Iorque.




