A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) já escreveu 4.000 páginas sobre como suas forças devem agir caso o confronto com a Rússia se amplie na fronteira oriental da aliança. A informação foi dada por Giuseppe Cavo Dragone, presidente do Comitê Militar da organização.
Em entrevista à RT, a jornalista Rachel Marsden resumiu a contradição da propaganda europeia: “com tantos detalhes dedicados ao plano B, ele começa a parecer suspeitamente com o plano A”. A chamada prevenção está criando tropas, bases e comandos capazes de iniciar o conflito que os dirigentes europeus dizem querer evitar.
Os dirigentes europeus apresentam o rearmamento como resposta a uma suposta invasão russa. A Rússia nega que pretenda atacar países da União Europeia ou da OTAN e afirma que só entraria em confronto com eles se fosse atacada. Os governos imperialistas, apesar da campanha permanente sobre o perigo vindo do Leste, não mostraram a existência de um plano russo para invadir a Europa.
A acusação permite colocar o continente em regime de guerra. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs um mecanismo de segurança inspirado no princípio de defesa coletiva da OTAN e a criação de um Conselho Europeu de Segurança. Na Polônia, o primeiro-ministro Donald Tusk passou a defender uma base permanente dos Estados Unidos.
Ao longo da fronteira russa, a concentração de tropas, armas e centros de comando dá ao imperialismo os meios para passar da guerra por procuração ao confronto direto. A quantidade de detalhes revelada por Dragone mostra o grau alcançado por essa preparação.
O imperialismo precisa da guerra
O imperialismo precisa da guerra para enfrentar sua decadência econômica e a perda de domínio político sobre regiões inteiras do planeta.
Os grandes monopólios precisam controlar mercados, fontes de matérias-primas e rotas comerciais. Por isso, os Estados Unidos e as potências europeias não podem conviver pacificamente com governos que escapem a seu controle, dominem recursos estratégicos ou mantenham forças armadas capazes de resistir. A coexistência dura enquanto o imperialismo prepara melhores condições para atacar. Se sanções, golpes e bloqueios não derrubam o governo escolhido como alvo, entram em cena os bombardeios e a ocupação militar.
Na Venezuela, os Estados Unidos chegaram ao sequestro de Nicolás Maduro e tentam colocar diretamente sob seu domínio o país e suas reservas de petróleo. Na Assembleia Geral da ONU, Donald Trump vangloriou-se da operação e retomou a Doutrina Monroe para reivindicar o controle norte-americano sobre o continente. Na mesma tribuna, ameaçou Cuba com mais pressão econômica. Dias antes, seu governo havia sancionado 11 entidades cubanas.
No Irã, a ofensiva dos Estados Unidos e de “Israel” caiu num atoleiro. O país não se rendeu, o Estreito de Ormuz tornou-se um ponto crítico para o comércio mundial e os combates consumiram grandes quantidades de munição norte-americana. O presidente da Letônia, Edgars Rinkevics, reconheceu que o uso de interceptadores Patriot contra o Irã reduziu os estoques disponíveis para a Europa. Mesmo assim, prosseguem a pressão econômica, o bloqueio naval e as ameaças.
A Rússia representa um obstáculo militar muito maior, com arsenal nuclear, território gigantesco, recursos naturais e capacidade de enfrentar a OTAN. A guerra por procuração na Ucrânia veio acompanhada, desde o início, da preparação para um choque direto.
A Coreia do Norte permanece submetida a sanções e ameaças militares. A China é cercada por bases, alianças e provocações no Pacífico. O cerco procura impedir a formação de um polo econômico e militar capaz de limitar o poder dos Estados Unidos. Cada frente prepara e alimenta as demais.





