As Forças Armadas do Iêmen anunciaram neste sábado (19) duas grandes operações contra a Arábia Saudita. Mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones atacaram pontos de Riade e uma unidade da petrolífera Saudi Aramco em Iambu.
“Com a ajuda de Deus Todo-Poderoso, ambas as operações foram bem-sucedidas e causaram grandes incêndios nos locais atingidos”, informou o comando iemenita. A ofensiva respondeu à nova campanha de bombardeios sauditas contra o Iêmen.
Veículos aéreos não tripulados (VANTs) alcançaram as proximidades do Aeroporto Internacional Rei Khalid, na capital saudita. Foram registrados incêndios e uma grande coluna de fumaça negra na região. As primeiras informações apontaram danos em um prédio de cargas e em dois tanques de combustível.
O ataque obrigou as autoridades a emitir um alerta aéreo pouco antes das 3 horas. Moradores de Riade receberam ordens para permanecer dentro de casa. Duas explosões foram ouvidas, enquanto vídeos mostraram um míssil balístico atravessando o espaço aéreo e escapando das defesas sauditas. Voos foram cancelados ou atrasados. A Reuters confirmou a presença de chamas e fumaça perto do aeroporto.
O governo saudita alegou ter interceptado um míssil e impedido outras investidas. Os incêndios e a suspensão de voos desmentem, porém, a versão de que todos os projéteis foram destruídos. A Associated Press registrou que foi o primeiro ataque iemenita contra Riade desde a retomada da guerra.
732 bombardeios contra o Iêmen
O porta-voz das Forças Armadas do Iêmen, brigadeiro-general Iahia Saree, informou que caças F-15 e Typhoon partiram das bases de Khamis Mushait e Taif para realizar 732 ataques contra o país. Somente neste sábado, foram registradas 26 incursões. Durante a semana, os sauditas executaram cerca de 300 bombardeios contra as províncias de Taiz, Hajjah, Marib, Al-Jawf, Al-Bayda, Amran, Al-Hudaydah e Saada.
A aviação saudita matou e feriu civis, destruiu casas e danificou serviços indispensáveis à população. Riade também bombardeou o Aeroporto Internacional de Saná e mantém há anos um cerco destinado a estrangular o povo iemenita.
O governo de Saná denunciou ainda a atuação do chamado “Estado Islâmico saudita”, responsável por tentativas de atentados indiscriminados contra a população da capital. O Ministério das Relações Exteriores advertiu que o país responderá a qualquer ação que ameace sua segurança e sua soberania.
As Forças Armadas rejeitaram a acusação de que o Iêmen tentou atacar Meca. O comando chamou a denúncia de grave mentira contra “a terra da fé e da sabedoria” e acusou os dirigentes de Riade de usar a cidade sagrada para justificar a guerra.
O comunicado também negou que civis tenham sido escolhidos como alvos. “Qualquer dano a civis, caso tenha ocorrido, resultou das tentativas fracassadas de interceptação das defesas aéreas sauditas”, declarou.
O comando iemenita prometeu manter a resposta de “bloqueio por bloqueio e escalada por escalada”. As bases e instalações usadas pela Arábia Saudita permanecerão sob ataque até o fim dos bombardeios e a suspensão do cerco contra o Iêmen.





