Manifestantes sionistas pediram o enforcamento dos diretores de NAZA, Rachel Szor e Yuval Abraham, em um ato diante da casa da família de Szor, na quarta-feira (16). Dezenas de pessoas se reuniram em Savyon, em “Israel”, contra o documentário que denuncia o assassinato de civis palestinos nas operações militares em Gaza.
Além da morte dos cineastas, um participante exigiu a expulsão da família e o fechamento da casa. Outro ativista, ligado ao ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, pediu que divulgassem os locais onde os diretores fossem vistos. O objetivo declarado era impedir que frequentassem restaurantes ou outros estabelecimentos, relata o Middle East Eye. Middle East Eye, 17/09/2026.
A perseguição também parte do governo. O ministro da Cultura, Miki Zohar, anunciou que buscaria retirar a cidadania dos realizadores sob a acusação de “traição”. Netaniahu declarou que apresentaria projetos para aplicar a mesma medida a quem “difame” soldados e multiplicar por 20 os valores das indenizações cobradas nessas ações.
Premiado pelo júri do Festival de Veneza, NAZA reúne depoimentos de 24 integrantes ou ex-integrantes das estruturas militares e de inteligência. As identidades foram preservadas. O filme investiga o emprego de inteligência artificial na escolha dos alvos e a inclusão de mortes de civis nos cálculos que orientam os ataques.
Ao ameaçar os cineastas com a perda da cidadania, o governo trata a denúncia dos crimes do Exército como motivo para expulsá-los do país. A acusação oficial de traição dá apoio político aos grupos que exigem sua morte. A perseguição procura calar também quem poderia fornecer novos relatos sobre as operações em Gaza.
O sindicato de jornalistas de “Israel” condenou os ataques. Uma pesquisa do Canal 13 citada pelo Middle East Eye registrou apoio de 48% dos entrevistados à proibição do documentário no país; 32% se manifestaram contra a censura.




