Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de montar uma “farsa incriminatória com finalidade político-eleitoral” ao determinar a apuração dos diálogos entre o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Moraes não esclareceu o conteúdo das conversas. Preferiu atacar quem mandou investigar o caso.
O ataque apareceu em um despacho publicado na noite de segunda-feira (14). Em 121 tópicos, Moraes pediu a anulação do relatório da Polícia Federal que apontou conversas entre ele e Vorcaro sobre investigações em andamento. A principal alegação é a de que Mendonça agiu para interferir nas eleições de outubro.
“São inúmeros os elementos que comprovam que a decisão nula dada de ofício pelo Ministro André Mendonça, sem oitiva do Ministério Público ou provocação da Polícia, foi deliberadamente direcionada pelo Ministro relator PARA MONTAR UMA VERDADEIRA FARSA INCRIMINATÓRIA COM FINALIDADE POLÍTICO-ELEITORAL”, declarou Moraes.
A acusação parte justamente do homem que atuou como se fosse o dono do País. Moraes abriu investigações secretas, acumulou as funções de vítima, investigador, acusador e juiz, ordenou prisões, censurou jornais e perfis nas redes sociais e determinou operações policiais contra seus críticos. Para tomar essas medidas, nunca considerou necessária a provocação do Ministério Público nem respeitou as garantias dos acusados.
O Inquérito das “Fake News” tornou-se o principal instrumento dessa ditadura judicial. Sob o comando de Moraes, foi usado contra jornalistas, militantes, partidos e qualquer pessoa considerada uma ameaça ao STF. O próprio juiz escolhia os alvos, ordenava a produção das provas e julgava os acusados. Diante de uma apuração que o atinge, passou a exigir regras que sempre negou aos demais.
O juiz que interferiu nas eleições
Moraes também afirmou que Mendonça divulgou o relatório às vésperas do 7 de Setembro para favorecer “determinado grupo político” nas eleições. Chegou a usar como indício um vídeo no qual Mendonça agradeceu a membros da Igreja Presbiteriana de Pinheiros por mensagens de “oração e carinho”.
“Por motivos políticos-eleitorais, houve direcionamento do magistrado relator para incriminar colega do STF, bem como o Presidente do Senado Federal e favorecer determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026”, declarou.
A acusação seria cômica se não viesse de quem colocou o Judiciário no centro das eleições brasileiras. Moraes comandou a perseguição contra Bolsonaro, conduziu a farsa judicial do 8 de Janeiro e atuou para que o principal adversário de Lula estivesse preso durante a campanha eleitoral de 2026. Depois de decidir quem poderia disputar as eleições, acusa Mendonça de interferência eleitoral porque apareceu em um relatório da Polícia Federal.
A condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão foi apresentada por Moraes como uma vitória da “democracia”. O processo do 8 de Janeiro serviu para impor penas de décadas a pessoas sem poder político ou militar e ampliar os poderes do STF. Uma manifestação desorganizada foi transformada em pretexto para perseguir a direita e retirar direitos políticos.
Moraes voltou a invocar o 8 de Janeiro para se apresentar como vítima de uma vingança. Alegou que aliados dos condenados pretendem incriminá-lo e que a ofensiva contra ele seria uma continuação daqueles acontecimentos.
Nada disso responde ao conteúdo do relatório policial. O que precisa ser esclarecido é o teor das conversas de Moraes com Daniel Vorcaro, a natureza da relação entre ambos e a possível interferência em investigações. A indicação de Mendonça por Bolsonaro, sua religião ou a data da divulgação do documento não eliminam esses fatos.





