Marcos Alberto Cabaleiro Fernandez, um dos fundadores do Banco Inter, doou R$200 mil à campanha de Edinho Silva, presidente do PT e candidato a deputado federal por São Paulo. O repasse consta no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Além dos R$200 mil destinados a Edinho Silva, Fernandez entregou R$400 mil a Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo de Minas Gerais. Os dados foram divulgados pela Folha de S.Paulo em 14 de setembro.
O PT surgiu em meio às grandes greves do ABC e, durante décadas, apresentou-se como um partido de defesa dos trabalhadores. De fato, o partido sempre foi de esquerda e teve uma política orientada para reformas sociais. No entanto, à medida que essa política se esgota (e seu esgotamento é gradual e longo, tendo origens ainda nos anos 1980) o PT transforma-se cada vez mais num partido comum do regime. O financiamento recebido por seu atual presidente, nesse sentido, é natural da degeneração do PT.
Os bancos acumulam lucros por meio dos juros, da dívida pública e da retirada de recursos que deveriam atender às necessidades da população. Seus interesses exigem o corte de gastos sociais, o ataque aos salários e a submissão da economia ao capital financeiro. Não são aliados dos trabalhadores, mas seus inimigos.
Por isso, a contribuição a Edinho Silva tem importância política. Ele não é um candidato secundário, mas o presidente nacional do PT. O dinheiro entregue por um banqueiro ao principal dirigente petista expõe as relações mantidas pelo comando do partido com a grande burguesia.
Ao menos 24 empresários financiaram simultaneamente candidatos do PT e do PL nas eleições de 2026. As contribuições chegaram a R$5,6 milhões: R$2,87 milhões foram para o PL e R$2,79 milhões para o PT.
O financiamento acompanha o avanço do PT para a direita. A frente ampla colocou o partido numa aliança com representantes diretos da burguesia e do imperialismo. Os capitalistas ganham espaço no governo e impõem seus interesses, enquanto os trabalhadores são chamados apenas a votar.
O apoio irrestrito à ditadura do STF é outra expressão dessa guinada. Em vez de organizar a população contra uma instituição que censura, persegue partidos e interfere nas eleições, os dirigentes petistas apresentam os sócios do banqueiro Daniel Vorcaro como defensores da “democracia”. O identitarismo cumpre um papel semelhante ao substituir a luta de classes por uma política aceita e financiada pelos grandes capitalistas que busca esmagar, por meio das instituições putrefatas do Estado burguês, como o STF, a massa trabalhadora.
Se continuar nesse caminho, o PT vai se transformar numa social-democracia semelhante às europeias: um partido que conserva o nome e algumas referências da esquerda, mas aplica uma política neoliberal e inteiramente imperialista. De suas raízes operárias, restará apenas o nome.





