Uma em cada cinco pessoas mortas violentamente no estado do Rio de Janeiro em 2025 foi vítima da polícia. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou 798 mortes provocadas por intervenções de policiais civis e militares, 20,5% das 3.890 mortes violentas intencionais ocorridas naquele ano.
A quantidade de pessoas mortas pela polícia cresceu 13,5% em relação a 2024. A maior letalidade policial não veio acompanhada de queda da violência no estado. Enquanto as mortes violentas diminuíram 8,2% no conjunto do País, aumentaram 2% no Rio.
Também subiu fortemente o número de policiais mortos. Foram 51 integrantes das polícias Civil e Militar assassinados em serviço ou durante a folga, contra 28 no ano anterior, aumento de 82%.
Os números desmentem a apresentação das grandes operações policiais como solução para a violência. A política de ocupação armada dos bairros pobres aumenta a quantidade de mortos sem oferecer segurança à população ou aos próprios policiais enviados para essas ações.
Nem a intervenção do Supremo Tribunal Federal por meio da chamada ADPF das Favelas alterou essa situação. Os ministros impuseram regras às operações, mas mantiveram de pé a estrutura responsável pelas chacinas.
A Polícia Militar continua organizada como força de repressão interna e entra nos bairros operários como se estivesse diante de território inimigo. A guerra às drogas fornece a justificativa para invasões, tiroteios, revistas e operações com armamento pesado em regiões densamente povoadas.
A proibição também sustenta um enorme comércio clandestino e cria as condições para a disputa armada em torno desse mercado. É preciso legalizar todas as drogas e acabar com a Polícia Militar.





