Flávio Bolsonaro está montando uma equipe econômica destinada a tranquilizar banqueiros e grandes empresários. Antigos auxiliares de Paulo Guedes aparecem ao lado de executivos com passagem por grandes instituições financeiras internacionais, numa tentativa de disputar com Romeu Zema e Renan Santos a preferência dos saqueadores da nação.
A principal figura dessa aproximação é Daniella Marques. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro e integrante da equipe de Paulo Guedes, ela coordena o núcleo econômico da campanha e passou também a procurar nomes para um eventual governo.
A CNN Brasil informou que Daniella vem recebendo indicações de profissionais interessados em ocupar postos numa administração de Flávio. Entre as possibilidades discutidas está sua própria ida para o Ministério da Fazenda.
Outros dois nomes mostram ainda melhor a direção da candidatura. Alexandre Bettamio, executivo do Bank of America, aparece entre os possíveis integrantes de primeiro escalão. Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, também é citado para a área econômica.
Kayath já participa da aproximação de Flávio com empresários e banqueiros. O candidato esteve em um jantar organizado na residência do ex-executivo do Credit Suisse, em São Paulo, com representantes de grandes empresas e instituições financeiras.
Outro integrante importante é Adolfo Sachsida. Economista ligado a Paulo Guedes, ele ocupou cargos no Ministério da Economia e terminou o governo Bolsonaro como ministro de Minas e Energia. Sachsida defendeu abertamente a política de privatizações e também é cotado para ocupar um ministério caso Flávio vença.
Sua trajetória acadêmica inclui estudos e docência nos Estados Unidos. Politicamente, entretanto, o dado mais importante é sua participação direta no programa econômico executado durante o governo Bolsonaro: privatizações, redução da presença das empresas estatais e ampliação das concessões ao grande capital.
Flávio procura, assim, deixar claro que sua candidatura não significa nenhuma mudança em relação à política conduzida por Paulo Guedes. Daniella Marques e Sachsida garantem a ligação com o antigo Ministério da Economia; Bettamio e Kayath oferecem uma ponte direta com o grande capital financeiro internacional.
A movimentação ocorre enquanto outros candidatos da direita fazem a mesma disputa.
Renan Santos declarou ter convidado Marcos Lisboa para ser ministro caso chegue à Presidência. Lisboa foi secretário de Política Econômica no primeiro governo Lula (um governo dos banqueiros), durante a gestão de Antônio Palocci, e depois ocupou cargos de direção no Itaú Unibanco.
“Convidei o Marcos Lisboa para ser meu ministro”, afirmou Renan. O candidato acrescentou que também gostaria de contar com Elena Landau: “Gostaria de contar com pessoas desse nível: Marcos Lisboa, uma Elena Landau”.
Landau participou diretamente das privatizações realizadas durante a tragédia que foram os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, precedida pelo governo neoliberal de Itamar Franco. Como diretora da área de desestatização do BNDES, participou dos processos envolvendo os setores siderúrgico, elétrico e petroquímico e dos preparativos para a privatização da Vale.
Romeu Zema procura ocupar o mesmo terreno. Todos sabem que o político do Novo (o partido laranja do Itaú) aplica sem dó nem piedade privatizações das propriedades do povo de Minas, a redução dos gastos necessários com a população pobre e a entrega desse dinheiro para a especulação financeira através do pagamento dos juros da dívida pública.
A diferença entre os três está apenas em que Flávio tem apoio popular por causa de seu pai. Se não fosse filho de Jair Bolsonaro, seria imediatamente abandonado por esse eleitorado – sobretudo pelos eleitores pobres, desempregados, trabalhadores e camponeses que, de alguma maneira, acreditam que podem melhorar de vida sob o bolsonarismo. Mas a máscara não consegue ser segurada por muito tempo sobre o rosto de Flávio: assim como Renan Santos e Zema, ele não passa de um fantoche dos banqueiros.





