Mansoor Adayfi tinha 18 anos quando foi capturado no Afeganistão e posteriormente entregue aos Estados Unidos. Vinte e cinco anos depois do 11 de Setembro, o iemenita relatou as torturas e arbitrariedades sofridas durante sua passagem pelas prisões mantidas pelo imperialismo na chamada “guerra ao terror”.
Adayfi afirma que estava no Afeganistão auxiliando uma pesquisa quando ocorreram os ataques de setembro de 2001. Pouco depois, homens armados sequestraram o grupo com o qual viajava.
Naquele período, os norte-americanos ofereciam recompensas pela entrega de supostos integrantes da Al-Caida e do Talibã. O jovem acabou nas mãos da CIA e foi acusado de ser um dirigente da organização.
Passou por instalações secretas e pela base de Candaar antes de ser transportado, acorrentado e submetido à privação sensorial, para Guantánamo. Ali passou a ser identificado pelo número 441.
Seu relato descreve espancamentos, humilhações, interrogatórios prolongados e punições por conversar, rezar ou olhar para os guardas.
Os presos eram mantidos em jaulas cercadas por arame farpado. Entre eles havia idosos e menores de idade.
Adayfi nunca foi julgado nem condenado por um crime.
Somente em 2015 um conselho norte-americano autorizou sua saída. Mesmo depois da decisão, continuou preso por mais nove meses e deixou Guantánamo em julho de 2016.
Os EUA não permitiram que retornasse ao Iêmen. Ele foi enviado para a Sérvia, país com o qual não tinha qualquer vínculo.
Adayfi apresenta sua história como parte de uma estrutura muito maior: prisões clandestinas da CIA, sequestros, tortura, espionagem, assassinatos por drones e detenções por tempo indeterminado organizadas depois de 2001.
Guantánamo permanece aberta 25 anos depois. A prisão tornou-se um dos símbolos mais claros dos métodos empregados pelos Estados Unidos enquanto proclamavam uma suposta defesa mundial da “democracia” e dos “direitos humanos”.





